O Uso de Máscaras pela Humanidade
Máscara de calcário que data de 9 mil anos descoberta pelas autoridades de prevenção de roubos de Israel. Foto de Clara Amit, Israel Antiquities Authority. Link: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/12/mascara-de-9-mil-anos-surpreende-arqueologos-e-levanta-suspeitas
Autora do Resumo: Mayara Gomes da Costa
Acredita-se que o homem faz uso de máscaras desde o Período Paleolítico há cerca de 2,5 milhões de anos. Registros pictóricos sugerem representação do uso de máscaras. Já descobertas arqueológicas que datam de 9.000 anos, Período Neolítico, constam achados de máscaras confeccionadas em pedra. Sua utilidade é duvidosa, mas para estas descobertas, dado o período de transição para a formação de comunidades assentadas, existe a possibilidade do uso como ritual de controle social.
No Egito Antigo, o uso de máscaras mortuárias era comum. Máscaras rituais estavam presentes nas culturas antigas da América: Maias, Asteca e Incas. Observa-se também que povos tribais africanos, povos das Ilhas Polinésias, no Oceano Pacífico, os Esquimós e os Ameríndios tanto da América do Norte como do Sul usam máscaras em rituais festivos e/ou sagrados. Mostrando que elas têm importantes significados religiosos e espirituais, sendo utilizadas em rituais e servindo para estabelecer a conexão com os ancestrais e outros seres divinos.
Neste contexto, observa-se o uso das máscaras em cerimônias de celebração, rituais de iniciação, casamentos, nascimentos, funerais, em cerimônias de preparação para a guerra e rituais para evocar ou afastar espíritos.
A origem do teatro grego, no Século VI a.C., remonta as festas dionisíacas realizadas em homenagem ao deus Dionísio. Nestas festas (ou ritos religiosos) era usado vinho para induzir “transe” ou desinibição e tinha como tema a morte e o renascimento. Destes ritos desenvolveu-se um festival onde eram encenadas tragédias e sátira.
A máscara teatral era usada para dar destaque às feições desejadas conforme o contexto da peça. Serviam para permitir ver-se, a distância, a expressão que se queria dar a determinado personagem. Neste sentido, pode-se dizer o mesmo das máscaras utilizadas no teatro tradicional do Japão.
Máscaras de guerreiros, gladiadores, armaduras faciais podem ter sido as primeiras máscaras de proteção “profissional”. No Século XVII, durante o surto de Peste Negra, surge uma figura que se tornou famosa: o Médico da Peste, que talvez tenha sido o primeiro uso de uma máscara para proteção médica. A máscara do Médico da Peste possuía um bico, como de uma ave, longo onde era inseridas ervas para evitar que o cheiro emanado pelos atingidos pela peste negra contaminassem aquele que usava, pois acreditava-se que a doença vinha desse cheiro – miasma.
Conforme o caso, estas máscaras podiam dar um aspecto mais corajoso ou assustador.
Essa mesma máscara do Médico da Peste, ganha espaço no Carnaval de Veneza, festa que remonta a Idade Média e era uma tolerância a uma festividade de origem pagã, em antecedência à Quaresma Cristã. O uso da máscara nesta festa tinha a intenção de ocultar a identidade.
Durante a Primeira Grande Guerra, os soldados, bem como seus animais de transporte, fazem uso de máscaras para proteção contra gases tóxicos.
Atualmente, diversas profissões possuem equipamentos de proteção facial para gases, luz, calor, micro organismos, poeira, fumaça.
Recentemente, com a Pandemia de Covid-19, a máscara de proteção respiratória, de uso em espaços hospitalares, ganhou as ruas. Houve muita discussão se elas protegiam, qual seria a apropriada, se poderia ser reutilizada, quem deveria utilizar. A incerteza e o pânico tomou espaço da informação embasada, gerando muito conflito de ideias.
Da passagem do uso da máscara com uso ritual para o uso teatral e do teatral para o profissional, passando pelo uso simplesmente festivo, fica a impressão de que ela sempre esteve presente como um imaginário de proteção ou de transposição; de separar o dentro (nós mesmos, nossa individualidade) do que está fora (aquele que queremos afastar ou evocar). Cobrir o rosto, seja em qualquer situação, deixa a impressão que o desconhecido ou o divino pode estar próximo sem tirar nosso controle de nós mesmos.
Textos base (para saber mais):
Santana, Ana Lucia. História das Máscaras. InfoEscola. Link: https://www.infoescola.com/artes/historia-das-mascaras/
Romey, Kristin. Máscara de 9 mil anos surpreende arqueólogos e levanta suspeitas. National Geografic. 6 dez 2018. Link: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/12/mascara-de-9-mil-anos-surpreende-arqueologos-e-levanta-suspeitas
Oliveira, Roberto Acioli de. Máscaras: Papua Nova Guiné e Oceano Pacífico. 13 nov 2014. Corpo e Sociedade. Link: https://corpoesociedade.blogspot.com/2014/11/mascaras-papua-nova-guine-e-oceano_13.html?
Wikipédia. Dioniso. Link: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dioniso
Porto, Lidianne. As máscaras gregas: presentes no teatro, na tragédia e na comédia. 19 nov 2019. Escola Educação. Link: https://escolaeducacao.com.br/mascaras-gregas/
Wikipédia. Médico da peste. Link: https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9dico_da_peste
Gearini, Victória. De máscaras a comida em lata: 5 itens curiosos de soldados da Primeira Guerra Mundial. 27 jun 2021. Aventuras na História. Link: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/de-mascaras-comida-em-lata-5-itens-curiosos-de-soldados-da-primeira-guerra-mundial.phtml
Mota. P. H. Carnaval de Veneza: origem, história, características e atrações. Segredos do Mundo. Link: https://segredosdomundo.r7.com/carnaval-de-veneza/
Bialetti. Carnaval de Veneza: conheça sua história! 17 fev 2021. Link: http://blog.bialettishop.com.br/carnaval-de-veneza-2/

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