quarta-feira, 17 de maio de 2023

Uso de Cobaias

Uso de cobaias. Fonte: http://ju-only-one-post.blogspot.com/2012/10/medical-research-with-animals.html

Autora do Resumo:  Isabella Carius Gonçalves Guilherme

O uso de cobaias é algo frequente no teste de vacinas, medicamentos, cosméticos e até mesmo de produtos de limpeza. Essas cobaias ficam em laboratórios, onde geralmente tem o acompanhamento de cientistas e veterinários, que auxiliam no desenvolvimento e no controle dos testes sobre os animais.

Vale lembrar que, quando pensamos em testes com seres vivos, não são necessariamente só animais como porquinhos da Índia, coelhos e ratos. Também podemos estar falando em testes com seres humanos. Por isso, devemos ter em mente que esses testes preveem ser aplicados de forma controlada e em prol da promoção da saúde da população.

Outro fato que costuma-se pensar, quando falamos no uso de cobaias, é nos maus-tratos que esses animais sofrem. Mas, apesar de, por vezes isso realmente acontecer, testes criteriosos exigem determinadas regras, como o uso de um número mínimo de animais necessários e tentando respeitar o máximo possível os direitos dos animais, impondo limites à dor e ao sofrimento. Além disso, atualmente, preconiza-se o uso de cobaias somente quando esses testes são indispensáveis.

Muitos dos animais que são utilizados como cobaias são criados em ambientes, com a procriação controlada e já com a intenção de serem utilizados em testes de laboratórios e indústrias. Estes testes visam não só benefícios para nós, humanos como também para os próprios animais, já que são utilizados para a produção e melhora de rações e medicamentos para eles próprios.

Entretanto, como tudo na sociedade em que vivemos, o uso dessas cobaias tem prós e contras. Se por um lado traz benefícios tais como o desenvolvimento de medicamentos e anestésico, a garantia da qualidade de vacinas, a segurança no uso de produtos químicos, etc. Por outro lado, a falta de controle e segurança maiores, muitas vezes aliados à pressa e ganância financeira, levam a maus-tratos aos animais, que muitas vezes tem reações negativas e mesmo a mortes desnecessárias.

Existe muita polêmica no uso de cobaias. No uso de cobaias animais, uma grande polêmica surge na indústria de cosméticos que testam os seus produtos de forma a expor os animais a limites de reações e danos físicos, gerando grande sofrimento.
Recentemente, foi lançado um curta-metragem de animação chamado “Salve o Ralph”, no qual é apresentado um coelho, cobaia na indústria de cosméticos, que passa por vários testes com produtos e vai tendo reações que causam dor, cegueira entre outros danos. Esse curta-metragem gerou muita polêmica e levantou a questão do uso de animais para esses testes, alegando que eles sofrem muitos maus-tratos. Com isso, empresas da área de cosméticos que não fazem uso de testes em animais acabam sendo beneficiadas, já que as pessoas condenam as empresas que, por outro lado, fazem o uso dessas cobaias.

Historicamente, o uso de seres humanos como cobaias também gerou polêmicas. Um exemplo bem conhecido foram os testes feitos nos campos de concentração na Alemanha durante o regime Nazista.

Outro caso é o de Anarcha Westcott, uma escrava afro-americana que, aos 17 anos, sofrendo de raquitismo (uma deficiência nutricional de vitamina D, cálcio ou fósforo) de forma a ter sua pélvis mal formada que dificultava o parto de seu primeiro filho em 1820, ter sido usada para experimentos. Ela entrou em trabalho de parto e após três dias deu à luz a um natimorto. Após isso, a jovem foi submetida a uma série de procedimentos cirúrgicos experimentais sem anestésicos, tudo isso liderado pelo médico ginecologista Marion Sims. Muitas outras mulheres negras foram submetidas a procedimentos cirúrgicos com Marion Sims sem o seu consentimento, sentindo dores absurdas, pois acreditava-se que negros eram mais tolerantes à dor. Seus experimentos, fizeram com que Marion Sims entrasse para a história como um médico que revolucionou a cirurgia ginecológica.

Hoje em dia, os testes com seres humanos são feitos de uma forma humanitária. As pessoas se voluntariam para ajudar com desenvolvimento de medicamentos e tratamentos para doenças entre outras coisas. Devemos ressaltar, que esses testes não são feitos primeiro nos seres humanos, existe uma sequência de testes anteriores, em materiais orgânicos, em células, organismos vivos inferiores, animais, etc.

Um exemplo bem interessante e bem importante para a medicina é o experimento de medicamentos contra a AIDS. Muitas pessoas se voluntariam para que remédios e coquetéis (uso de vários medicamentos combinados para obter um melhor resultado) sejam desenvolvidos e possam ajudar futuramente outras pessoas. Desta forma, os cientistas conseguem desenvolver medicamentos importantes e evolui-los, ajudando na nossa sobrevivência com melhores condições de vida.

Esperamos caminhar para um dia termos critérios tão rigorosos como estes com os animais.

“Chegará o dia em que todo homem conhecerá o íntimo dos animais. Nesse dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a própria humanidade.” Leonardo da Vinci

Textos base (para saber mais):

Fidalgo, Sabrina. "Cobaias humanas": o lado mais obscuro da maldade humana. Vogue Gente. Globo.com. 29 mar 2021. Link: https://vogue.globo.com/Vogue-Gente/noticia/2021/03/cobaias-humanas-o-lado-mais-obscuro-da-maldade-humana.html

Cobaias humanas. Ciência. Super Interessante. 31 out 2016. Link: https://super.abril.com.br/ciencia/cobaias-humanas/

Batalha, Elisa. Uso de animais em pesquisa abrange desafios éticos e compromisso com novas tecnologias. Revista Radis. 23 fev 2017. Fiocruz. Link: https://portal.fiocruz.br/noticia/uso-de-animais-em-pesquisa-abrange-desafios-eticos-e-compromisso-com-novas-tecnologias

Sanson, Cesar. Cobaias de cosméticos. Instituto Humanitas Unisinos. 10 jul 2012. Link: https://ihu.unisinos.br/categorias/172-noticias-2012/511349-cobaias-de-cosmeticos

Nauata, Felipe Macedo. Maus tratos aos animais através da experimentação científica. Jus.com.br. 05 abr 2018. Link: https://jus.com.br/artigos/65240/maus-tratos-aos-animais-atraves-da-experimentacao-cientifica

Sanz, Raphael. Governo Lula proíbe testes em animais na indústria de cosméticos. Forum. 1 mar 2023. Link: https://revistaforum.com.br/blogs/portal-veg/2023/3/1/governo-lula-proibe-testes-em-animais-na-industria-de-cosmeticos-132125.html

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Biomas Mundiais

Biomas Mundiais conforme a distribuição hídrica e a temperatura. Fonte: https://profalexeinowatzki.wordpress.com/biomas-terrestres/

Autora do Resumo: Eduarda Alves Honorato da Silva

Ao se fazer uma busca rápida pelo termo de bioma, descobre-se que, em sua etimologia, ele se origina de BIO que se refere à vida e ÓGKOMA que se refere a massa, inchaço, tumor. Este termo surge na Biologia em 1916 com Clements, a princípio como sinônimo de comunidade biótica e aos poucos agregando aspectos climáticos e de solo, aproximando-se do conceito de ecossistema.

O termo bioma é empregado com diferentes sentidos conforme o contexto. A exemplo disso, observa-se o uso pela literatura biogeográfica brasileira como sinônimo de província biogeográfica, definindo como biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.

Contudo, aqui, bioma será empregado como ecossistemas terrestres com vegetação característica e um tipo de clima predominante, que dá ao bioma aspectos de caráter geral e único.
Dentro deste princípio define-se sete principais biomas mundiais: Tundra, Taiga, Floresta Temperada, Floresta Tropical, Savanas, Pradaria e Deserto.

Taiga:

Taiga. Fonte: https://www.estudokids.com.br/taiga-caracteristicas-onde-encontrar-e-riscos-de-extincao/

A taiga é um bioma localizado no Hemisfério Norte do planeta, em países como Estados Unidos, Canadá e Rússia. É uma vegetação típica de clima frio, com elevado grau de adaptabilidade climática, em razão das temperaturas extremas. Esse bioma é conhecido pela homogeneidade das suas espécies vegetais.

Tundra:

Tundra. Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/tundra.htm

O nome tundra é de origem finlandesa “Tunturia”, que significa “planície sem árvores”. Através desse nome, é possível ter uma ideia sobre a vegetação desse bioma. Esse bioma é frio e inabitável com um tipo vegetação espalhada, em grande parte rasteira. A tundra é o bioma mais frio da terra.

Floresta temperada:

Floresta Temperada. Fonte: https://www.barrameda.com.ar/ecologia-pt/florestas-temperadas/

A floresta temperada é um bioma encontrado no centro da Europa, sul da Austrália, Chile, leste da Ásia, principalmente na Coreia, no Japão e algumas partes da China e no leste dos Estados Unidos. Também é chamada de floresta decídua temperada ou de floresta caducifólia porque as folhas caem no fim do outono.

Floresta tropical:

 

Floresta Tropical. Fonte: https://conhecimentocientifico.com/floresta-tropical-onde-e-encontrada-fauna-flora-e-clima-predominante/

O bioma floresta tropical e subtropical úmida é um tipo de ecossistema que ocorre aproximadamente dentro da região compreendida entre a latitude de 35 graus norte e a latitude de 35 graus sul – em outras palavras, na zona equatorial entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio.

Savana:

Savana. Fonte: https://www.infoescola.com/biomas/savanas/

Savana é um tipo de vegetação onde se predominam as gramíneas, árvores pequenas e arbustos. O bioma, típico de regiões de clima tropical e seco, faz transição com diversos outros biomas no Brasil, onde é chamado de Cerrado, com exceção dos pampas.

Pradaria:

Pradaria. Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/pradarias.htm

Também conhecido como Campos do Sul ou Pampas, a Pradaria é um bioma caracterizado, principalmente, pela presença de vegetação campestre, típica de regiões de clima subtropical, composta por gramíneas, herbáceas e algumas árvores. Na América do Sul, este bioma ocupa uma área de 750 mil km².

Deserto:

Deserto. Fonte: https://www.ecycle.com.br/deserto/

O termo deserto designa um bioma de vegetação rarefeita ou inexistente, o que se deve às condições edafoclimáticas (referente ao solo e ao clima) encontradas nessas áreas. As plantas do deserto são geralmente espécies de pequeno e médio porte adaptadas aos longos períodos de seca e a variações bruscas de temperatura.

Textos base (para saber mais):

Origem da Palavra. Bioma. Link: https://origemdapalavra.com.br/palavras/bioma/

Santos, Vanessa Sardinha dos. O que é Bioma? Brasil Escola. Link: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/biologia/o-que-e-bioma.htm

Wikipédia. Bioma. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Bioma

Castilho, Rubens. Bioma. Toda Matéria. Link: https://www.todamateria.com.br/bioma/

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Ilustração Botânica

Margaret Mee. Fonte: https://untoldstories.net/1929/05/margaret-mee-explorer-conservationist-botanist-scientific-illustrator/

Autora: Kauane Barcellos de Faria

Caso seu aparelho apresente incompatibilidade com o "podcast" experimente ouvir o áudio por aqui.

Narração: Maria Eduarda da Costa Silva (Bolsista FAPERJ, Jovens Talentos, Pré Iniciação Científica)

A Ilustração Botânica é um segmento da Ilustração Científica voltada ao registro gráfico de espécies vegetais.

A Ilustração Científica pode ser encarada como uma área onde Arte e Ciência se encontram. Sua finalidade é registrar com detalhes os aspectos botânicos do espécime observado ou alguma estrutura biológica de forma a auxiliar o pesquisador no registro ou na divulgação de suas descobertas. De forma geral, a Ilustração científica faz uso de diversas técnicas gráficas, desde grafite, nanquim, aquarela, chegando a computação gráfica nos dias de hoje.

A Ilustração Científica possui vantagem sobre uma fotografia dadas as limitações de profundidade de foco e iluminação que uma máquina mantêm fixas e o ilustrador pode registrar em uma única imagem nuances de diferentes focos. Para tal feito, o ilustrador precisa ter conhecimento morfológico das espécies de forma a saber os detalhes a serem destacados na ilustração.

No Brasil, a Ilustração Botânica, em particular, ganhou notoriedade nas mão da Ilustradora inglesa Margaret Mee (1909 – 1988).
Margaret Mee foi inicialmente educada por sua mãe, uma ilustradora de livros infantis e, aos 13 anos, já regularmente matriculada em uma escola, sua arte aparece pela primeira vez. Aos 17 anos na Escola de Artes e Ciências de Waterford, na Irlanda. Em 1947, ela foi recomendada para a Escola de Arte de Camberwell como aluna em tempo integral, com uma bolsa de estudos.

Margaret Mee vem ao Brasil, pela primeira vez, em 1952. A partir desta viagem, Mee conhece a Amazônia, que visita por 15 vezes fazendo observações e ilustrações de espécimes. Em 1958, ocorre suua primeira exposição no Instituto de Botânica de São Paulo que rende a ela um contrato de trabalho.

Após sua morte trágica em um acidente de automóvel, é criado um Fundo Margaret Mee para a Amazônia - Margaret Mee Amazon Trust (MMAT) e, através dele, a Fundação Botânica Margaret Mee, no Rio de Janeiro, que fornece bolsas de estudo nacionais e internacionais a estudantes de botânica brasileiros.

O legado de Margaret Mee ultrapassa o de simples ilustradora botânica, deixando-nos um alerta para espécimes possivelmente extintas, devido à destruição do se habitat, que são conhecidas apenas pelas suas ilustrações.

Textos base (para saber mais):

Núcleo de Ilustração Científica - NicBIO. O que é Ilustração Científica? Link:  https://www.nicbio.unb.br/index.php?option=com_content&view=article&id=462&Itemid=102
 
HiSoUR Arte Cultura Exposição. Ilustração Botânica. Link: https://www.hisour.com/pt/botanical-illustration-17588/

Varsha Mathrani. Margaret Mee: Explorer/Conservationist, Botanist/Scientific Illustrator. in: Untold Stories. Link: https://untoldstories.net/1929/05/margaret-mee-explorer-conservationist-botanist-scientific-illustrator/

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Etnobotânica

 

Dr. Richard Evan Schultes na Amazônia. Fonte: nenhum autor, huh.harvard.edu
Schultes investigou plantas alucinógenas usadas em rituais por povos indígenas do México e da Amazônia e estabeleceu vínculos de trabalho com o químico suíço Albert Hofmann (1906-2008).

Autores do Resumo: Lucas Pontes Macedo Vieira, Miguel Ismael Pires

Caso seu aparelho apresente incompatibilidade com o "podcast" experimente ouvir o áudio por aqui.

A Etnobotânica une a Botânica e a Etnologia em um só estudo que explora o uso das plantas aplicadas no nosso cotidiano como medicamentos, matéria prima ou até mesmo confecção de roupas. Também é capaz de explicar a interação da humanidade com o mundo vegetal desde os primórdios da sociedade.


Em se tratando de Brasil, a sua biodiversidade tem grande influência no desenvolvimento humano. Os povos indígenas usam seus conhecimentos passados por gerações para utilizar a diversidade local como fonte de alimento, abrigo e medicamento.


Especificamente tratando das plantas medicinais, tem-se conhecimento de seu uso tradicional por séculos, porém os medicamentos registrados no Brasil com plantas nativas ainda é comparativamente pequeno.


Existe uma dificuldade em entender a interação entre a cultura, recursos vegetais e Biologia Humana. A cultura determina como os humanos respondem aos desafios ambientais, assim como as tradições culturais reúnem informações para que possamos lidar com mudanças ambientais, sejam estas naturais ou provocadas. Por isso é importante contar a história do desenvolvimento da biodiversidade, assim como estudá-la em um contexto onde os recursos vegetais estão distribuídos, como são reconhecidos e utilizados por diferentes grupos humanos. Com isso buscamos uma maior união entre saberes para que possamos conservar e conhecer melhor a diversidade vegetal e cultural no Brasil.

 

Textos base (para saber mais):

SciELO - Scientific Electronic Library Online. Interações (Campo Grande), 16 (1), jan-jun 2015. Etnobotânica: um instrumento para valorização e identificação de potenciais de proteção do conhecimento tradicional. Roch, Joyce Alves; Boscolo, Odara Horta; Fernandes, Lucia Regina Rangel de Moraes Valente. Link: https://www.scielo.br/j/inter/a/bjTCfdnwmLmH5YFCV58LSyy/

Maestrovirtuale, s.d. Etnobotânica: objeto de estudo, história, metodologia. Link: https://maestrovirtuale.com/etnobotanica-objeto-de-estudo-historia-metodologia/

Banner do Frontão da Entrada do Laboratório 06 de junho de 2024