quarta-feira, 19 de julho de 2023

JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO (JBRJ)

 

Autora do Texto:  Maria Eduarda da Costa Silva

E nosso próximo destino foi o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Nosso passeio aconteceu no dia 20 de abril de 2023, acompanhados com as melhores companhias, professor Cláudio, Reginaldo, os alunos e também, alguns ex alunos do Estadual de Araras. A ida foi tranquila, muitas conversas, brincadeiras, músicas, e um céu lindo. Chegando lá, fomos recebidos pelo Prof. Dr. Leopoldo C. Baratto, que nos direcionou primeiro ao Canteiro de Plantas Medicinais, onde tivemos o prazer de conhecer a Pesquisadora em Etnobotânica e curadora da Coleção Temática de Plantas Medicinais do JBRJ, Viviane Stern da Fonseca-Kruel.

 

Começamos nossa visita ao canteiro com uma conversa com a pesquisadora Viviane e o professor Leopoldo, que nos contaram um pouco sobre o canteiro, e sobre a importância de conservar as plantas medicinais.

O canteiro, atualmente, tem cerca de 250 espécies de plantas, que vêm sendo cultivadas em 33 canteiros. Os principais objetivos do canteiro são identificar, registrar e cultivar espécies medicinais, ajudar e promover ações que instiguem pessoas a querer saber mais sobre o imenso universo das plantas medicinais, e, de forma indireta, preservar as espécies.

É de extrema importância que as plantas sejam conservadas, isso vai muito além da ecologia, elas fazem parte da gente. As plantas medicinais estão diretamente ligadas à nossa vida, seja por meio de perfumes, produtos de higiene pessoal, cosméticos, aromas para lugares, comidas, rituais e especialmente em nossos medicamentos, e acreditem, a maioria das plantas tem poder medicinal, inclusive a cada momento um cientista descobre alguma substância nova. Conservar as plantas é conservar a nossa história, imagine viver em um mundo sem elas, seria perigoso.

Depois de muitas informações interessantes, fizemos um tour pelas plantas das mais variadas possíveis, cipó cabeludo, guaraná, chapéu-de-couro, clitória, espinheira santa, Aloe vera (babosa), capim-cidreira, eucalipto, tanchagem-menor, erva-dos-bichos, cana-de-macaco, entre muitas outras.

O canteiro é incrível, você além de conhecer novas plantas, consegue ter a experiência prática, podendo tocar e cheirar.
Após o encerramento do nosso tour, fomos para o Herbário, onde fomos recebidos pela técnica aposentada, mas ainda ativa, do Herbário, Rosângela da Silva Cunha, que foi responsável por nos mostrar e explicar sobre o local.

 

Entenda o que é um Herbário: um herbário é formado por uma coleção de “exsicatas”, que são amostras de ramos de plantas com folhas, flor ou fruto desidratadas, registradas e armazenadas de forma bem protegida montadas sob uma cartolina para que durem séculos, elas também recebem uma ficha com informações sobre local e data da coleta, ambiente onde a planta estava, características como altura, cor da flor, aroma, dentre outras particularidades que o coletor achar relevante. As coleções podem ser organizadas em ordem alfabética ou segundo um sistema de classificação. Em geral, segue a ordem de família, gênero e espécies. Além das exsicatas, muitos outros elementos de origem vegetal podem fazer parte de um herbário, por exemplo fragmentos de madeira, frutos, artefatos, lâminas com cortes anatômicos e pólen ou mesmo amostras de DNA.

O Herbário do JBRJ possuí:

- Xiloteca, onde são guardadas amostras de madeira para o estudo dela, tendo 9.650 amostras em forma física, e 26 mil unidades de amostras guardadas em lâminas com cortes histológicos.

- Carpoteca, onde são guardadas mais de 5 mil amostras de frutos e sementes desidratadas.

- Etnobotânica, traz informações relacionadas a utilização das plantas, e de exemplo são expostos artefatos e objetos feitos de plantas, mostrando a diversidade biológica e cultural.

- Banco de DNA de espécies da Flora Brasileira, tem o trabalho de preservar as informações genéticas da grande diversidade da flora, possui mais de 5.700 exemplares.

Fomos apresentados ao passo a passo de como é feita a exsicata, primeiro o pesquisador coleta a espécime, que é levada para ser prensada, onde as amostras de plantas precisam estar intercaladas entre folhas de papel, papelão e placas de alumínio, e tudo isso é amarrado a duas pranchas de madeira, como se fosse um sanduíche; depois da prensa, todo o conjunto é levado para secagem em estufa com temperatura controlada, controle da temperatura é essencial, se secar demais as plantas ficam quebradiças; depois de tudo isso ela vai ser levada para ser estudada, onde iram descobrir e registrar tudo o que puderem sobre a planta; depois de ser analisada ela vai ser fotografada para ficar registrada no também no JABOT (Sistema de Gerenciamento de Coleções Botânicas); e por último, ela vai ser guardada junto as outras de acordo com o sistema de classificação, podendo durar séculos.

Enquanto visitávamos todos esses lugares e víamos o passo a passo de perto, tivemos o prazer de encontrar um pesquisador em ação, que nos deixou usar o seu microscópio para vermos algumas plantas que ele estava estudando, uma experiência sensacional. E encerramos nossa visita ao Herbário assinando o livro de visitas, e saindo espalhando elogios de admiração pelos profissionais e pelo local.

Após nossas visitas serem encerradas ficamos livres para explorar o Arboreto do Jardim Botânico que conta com mais de 30 atrações incríveis, dentre elas, Orquidário, Cactário, Bromeliário, árvores como pau-brasil e ipê roxo, Meliponário, Portal da Antiga Academia de Belas Artes, Memorial Mestre Valentim. Até aparição de macacos tivemos. Muitas outras atrações, uma mais interessante e bonita que a outra.

Deixamos o Jardim Botânico com um sorriso no rosto, admiração no coração, conhecimentos na cabeça e um segredo na mochila. E não, não estou brincado, não é mesmo Gabi?

E esse foi nosso passeio ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, resumindo, um passeio incrível, com experiências únicas e fotos e momentos incríveis. E claro, deixo aqui o agradecimento, meu e dos alunos, ao professor Cláudio que é o responsável por nos proporcionar momentos de ensinamentos tão divertidos como esse.

E agora gente, qual será nosso próximo destino?

LINKS INTERESSANTES:

JABOT GERAL: http://jabot.jbrj.gov.br/v3/consulta.php

JABOT BRASIL: http://rb.jbrj.gov.br/v2/consulta.php

SITE DO JBRJ: https://www.gov.br/jbrj/pt-br

COMPRA DE INGRESSO ONLINE: https://jbrj.eleventickets.com/#!/home

sexta-feira, 14 de julho de 2023

 A União de Duas Eletricidades

Alessandro Volta (esquerda) e Luigi Galvani (direita).
Fontes: https://www.britannica.com/biography/Alessandro-Volta
https://www.tekportal.net/galvani/

Autores do Resumo: Matheus Rezende de Miranda e Luiz Miguel Parada Alves da Silva

A História da Eletricidade é longa e complexa, remonta-se aos registros de Thales de Mileto, ainda no Século VI antes da era Cristã, ao observar que o âmbar (elektron em grego) ao ser esfregado em lã de carneiro adquiria o poder de atrair objetos pequenos e leves, como pedaços de folhas secas ou fios de cabelo, passando por desafios como o proposto por Benjamin Franklin, em meados do Século XVIII, de que os raios em tempestades eram manifestação de um fenômeno elétrico, porém com grande quantidade dessa eletricidade.

Um marco importante e interessante na História da Ciência no campo da Eletricidade foi a descoberta de que fenômenos biológicos como a contração muscular e a condução de sinal nervoso faziam parte de um mesmo conjunto de fenômenos estritamente físicos e químicos. Este marco pode ser entendido como a união de duas eletricidades.

Essa união envolveu, o debate entre dois pesquisadores italianos do Século XVIII, Luigi Galvani, médico, fisiologista e anatomista, e o físico e químico Alessandro Volta. Luigi Galvani observou que a perna de uma rã dissecada, que tinha seu nervo espinhal fixado a um fio de cobre, sofria contração muscular ao tocar uma placa de ferro. Ele explicou que este fenômeno era devido à eletricidade animal. O experimento atraiu a atenção de Alessandro Volta que passou a estudá-lo, chegando à conclusão que o mesmo era produzido pela interação entre os dois metais, portanto uma força elétrica comum aos metais e não específica dos seres vivos. Mais tarde, Volta veio a inventar a pilha voltaica que gerava o que ele denominou de corrente galvânica. Este dispositivo gerava uma corrente elétrica constante usando metais diferentes imersos em um líquido condutor. A descoberta de Volta levou ao desenvolvimento da teoria da eletricidade, que ajudaram a explicar muitos fenômenos elétricos na natureza.

Fato curioso, anteriormente às conclusões obtidas do debate entre Galvani e Volta, é que os fenômenos elétricos relacionados à Biologia levaram à ideia de um fluido elétrico presente nos seres vivos: "eletricidade vital". Inclusive era esta eletricidade que Galvani acreditava estar presente em sua experiência com rã. Esta crença está presente em muitas culturas ao longo da história, cuja ideia é que os seres vivos possuem esta energia elétrica única e vital que lhes dá vida e saúde. Embora essa ideia tenha sido amplamente desacreditada pela Ciência Moderna, ela ainda é promovida em algumas práticas de terapias alternativas que utilizam pontos de estímulos, ao afirmar que o corpo tem pontos de “energia” que podem ser manipulados para melhorar a saúde e o bem-estar. No entanto, não há evidências científicas para apoiar a existência da "eletricidade vital", a energia elétrica que é gerada dentro do corpo humano é produzida por processos biológicos normais, não tendo nenhuma relação com uma suposta energia vital ou espiritual. Não obstante, técnicas como a Acupuntura têm sua eficácia comprovada em tratamento sintomático para dores em diversos estudos.

Saindo da Ciência e indo para a Literatura, o romance gótico "Frankenstein" da britânica Mary Shelly, publicado pela primeira vez em 1818, narra a criação do monstro Frankenstein, criado a partir de partes de cadáveres, por Victor Frankenstein, um jovem estudante de ciências que busca alcançar a imortalidade e criar vida a partir da morte. Na história, Victor Frankenstein utiliza diversos conhecimentos científicos para criar o seu monstro, incluindo a eletricidade. Embora Shelley não tenha mencionado diretamente o experimento do italiano Luigi Galvani com pernas de rãs, é possível que ela tenha se inspirado no conceito de animação da vida através da eletricidade para criar o seu enredo.
A ideia de ressuscitar ou criar vida a partir da morte é um tema recorrente na literatura e na cultura popular, e o romance de Mary Shelley é considerado uma das primeiras obras de ficção científica moderna. A história de "Frankenstein" levanta questões importantes sobre a ética na ciência e a responsabilidade que os cientistas têm com suas descobertas e invenções. A influência do romance "Frankenstein" é ampla e profunda, e a obra tem sido objeto de inúmeras adaptações em diferentes mídias, incluindo cinema, televisão, teatro e  literatura. A história de Victor Frankenstein e seu monstro continua a inspirar e intrigar leitores e estudiosos em todo o mundo.

Textos base (para saber mais):

Wikipédia. Bioeletricidade. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Bioeletricidade

Van Hal, Michele; Dydyk, Alexander M.; Green, Michael S. Acupuncture. Pubmed. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan. 2022 Jul 25. Link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30335320/

Física"Crush". Vamos falar da História da Eletricidade? Galvani x Alessandro Volta. 30 abr. 2018. Link: https://fisicacrush.blogspot.com/2018/04/vamos-falar-da-historia-da-eletricidade.html?m=1

Wikipédia. Frankenstein. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Frankenstein

Maestrovirtuale.com. História da eletricidade: histórico e desenvolvimento desde sua origem. Link: https://maestrovirtuale.com/historia-da-eletricidade-historico-e-desenvolvimento-desde-sua-origem/

Portal da Engenharia. História da Eletricidade – Descubra como surgiu e veja toda a história da eletricidade! Link: https://portaldaengenharia.com/historia-da-eletricidade/

Frazão, Dilva. Alessandro Volta. Ebiografia. 29 jul. 2019. Link: https://www.ebiografia.com/alessandro_volta/

Raicik, Anabel Cardoso. Galvani, Volta e os experimentos cruciais: a emblemática controvérsia da eletricidade animal. Investigações em Ensino de Ciências. Vol. 25(1), abr. 2020, pp. 358-383. Link: https://ienci.if.ufrgs.br/index.php/ienci/article/download/1620/pdf

Frazão, Dilva. Luigi Galvani. Ebiografia. 29 jul. 2019. Link: https://www.ebiografia.com/luigi_galvani/

Wikipédia. Alessandro Volta. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Alessandro_Volta

Wikipédia. Luigi Galvani. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Luigi_Galvani

 

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