PSORÍASE: experiência pessoal vivida em 2022.
link: https://www.sbd.org.br/doencas/psoriase/
Autora: Amanda Pereira Dias
Há uns 9 anos atrás, surgiu uma alergia em minha mão, que ficou por um tempo e logo após sumiu. Contudo, há 3 anos, ela retornou, tomando conta de uma mão, de uma parte do braço e de um dos seios.
Procurei por um dermatologistas, porém, nenhum tratamento proposto ajudava aquela "alergia" passar. Nesse meio de tempo, procurei um terreiro, onde a “entidade” me passou a Aroeira, com a qual eu passei a fazer um chá e também banhava minha mão. O informado é que seria ótimo para fechar feridas e secar os machucados.
A partir de um certo tempo fazendo o uso da aroeira, esta não estava mais fazendo o efeito inicial e começou a irritar minha mão por conta do seu efeito de “secar os machucados”. Com isso, senti um aumento na alergia, coçando ainda mais, e quanto mais eu coçava, mais feridas abriam.
Resolvi ir em outro médico, que levantou a hipótese de ser alergia a algum agente: pelo de gato ou cachorro, consumo de carne de porco, consumo de lactose, entre outros. Então, foi-me pedido vários tipos de exames. Ao obter os resultados, viu-se que não era alergia à nada em específico e sim, a uma doença chamada PSORÍASE. Esta doença não possui cura, apenas tratamento, e pode se expandir, pelo couro cabeludo, pela área do cotovelo, pelos braços, mãos e pernas.
Como tive que cortar a Aroeira por conta do ressecamento, passei a hidratar as áreas atingidas com Babosa, além disso, fiz uso, por dois meses seguidos, de um antialérgico, uma semana tratando o seio com uma pomada específica (Furoato de Mometasona), e o braço e mão com um outra pomada (Propionato de Clobetasol), além de um creme também específico que só poderia ser usado na mão (Ureadin 20) manipulado em “Ureia 20%”.
Depois disso tudo, o seio foi completamente tratado, mas o braço e a mão não melhoram de todo.
A informação que obtive foi de que a psoríase pode piorar com o consumo de leite, carne vermelha, bebida alcoólica, queijos e principalmente a Ansiedade. Por este motivo, além do tratamento com cremes e pomadas, seria importante o encaminhamento para o tratamento junto a um psicólogo.
Obs: O uso da Aroeira foi dispensado como uma forma de banho para a mão, mas mantido como forma de chá.
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A Peste Negra
O Triunfo da Morte. Pieter Brughel, o Velho. Óleo em Painel, 1562, Museu do Prado, Madri.Fonte: Wikipédia. Link: https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Triunfo_da_Morte
Autora do Resumo: Gabriely Gonçalves Guilherme
A peste negra foi uma pandemia de peste bubônica, doença causada pela bactéria Yersinia pestis, que atingiu a Europa continental em meados do século XIV. Os historiadores acreditam que a doença se originou em algum lugar da Ásia Central e se espalhou para a Europa continental pelos genoveses. Existem muitas teorias sobre exatamente onde a doença surgiu, mas a mais aceita é que foi na China e que, por muito tempo, a peste permaneceu apenas na Ásia Central e, somente a partir do século XIV, espalhou-se por todo o Oriente e, posteriormente Ocidente, por terra e mar.
A transmissão da doença era inicialmente por ratos, principalmente pulgas infectadas com o bacilo, e acabou se espalhando para humanos quando as pessoas eram picadas por essas pulgas, com a bactéria se multiplicando no sistema digestório humano. Em um estágio mais avançado, a doença começa a se espalhar pelo ar por meio de espirros e gotículas.
Contribuindo para a propagação da doença estavam as condições precárias de saneamento e moradia nas cidades medievais – que forneciam condições para infestação de ratos e pulgas. Outro fenômeno dos surtos de peste foi a atribuição da doença a estrangeiros, especialmente judeus. Como os judeus não são europeus, tendo migrado desde os tempos antigos, atravessando muitas regiões do mundo, e finalmente se estabeleceram no território do continente europeu, tornaram-se o "bode expiatório" de uma multidão assustada e enfurecida. Com isso, milhares de judeus foram mortos durante o surto de peste.
Registros
indicam que os sintomas da peste negra eram uma febre alta, além de
vômitos e complicações pulmonares. Seguido de inchaço na pele, em áreas
com alta concentração de gânglios linfáticos, como virilha, coxas e
axilas. Esses caroços também eram conhecidos como "bubões", fazendo com
que a a peste negra também fosse conhecida como peste bubônica.
A morte pela praga era dolorosa e horrível, demorando de dois a cinco dias após a infecção.
A Europa testemunhou um declínio populacional devido às mortes pela peste negra. Estimativas convencionais dizem que a doença eliminou um terço da população do continente, mas alguns historiadores, como Jacques Le Goff, trouxeram novos dados que sugerem que o número de mortos pode ter sido muito maior do que isso. Le Goff diz que metade ou 2/3 da população europeia pode ter morrido da doença, e em alguns lugares, como a Inglaterra, ele coloca a taxa de mortalidade em torno de 70%.
Durante a Peste Negra, as cidades contrataram "médicos" para tratar dos doentes. Essas pessoas nem sempre eram qualificadas ou tinham estudos médicos, mas eram aceitas na esperança que trariam a cura.
Embora intimamente associado à epidemia da Idade Média, não foi senão a oartir do Século XVII que surgiram os médicos que usavam máscaras feitas de couro com um bico. Dentro havia ervas aromáticas para evitar o contágio, pois durante muito tempo se acreditou que a doença era transmitida pelo ar através do mau cheiro. Essas ervas também ajudavam a resistir ao fedor de corpos em putrefação. Os médicos eram contratados pelas cidades para cuidar dos doentes, recontar os mortos e alertar às autoridades sobre possíveis novos surtos da doença. Além da máscara, as roupas que eles usavam consistia em um casaco, calças presas às botas e luvas de couro. Eles também carregavam um bastão que lhes permitia afastar as vítimas. O equipamento que usavam na cabeça chamava a atenção. Consistindo de óculos de proteção além da máscara com dois orifícios para as narinas, o que permitia respirar. Embora esses trajes tenham ocorrido em toda a Europa, a aparência icônica ganhou mais importância na Itália, onde a figura do médico da peste tornou-se mais tarde uma fantasia para o teatro Commedia Dell'arte e celebrações carnavalescas.
O uso da máscara, com ervas pelos médicos da peste, tem origem na conjectura miasmática ou conjectura da doença miasmática foi uma conjectura biológica formulada por Thomas Sydenham e Giovanni Maria Lancisi no século XVII. É uma conjectura de que a doença é causada por odores causados pela decomposição da matéria orgânica contida no solo e nas águas subterrâneas contaminadas. Atualmente, a conjectura miasmática é considerada obsoleta tendo sido substituída pela conjectura dos germes. Contudo, essa conjectura, ao afirmar que a doença é causada por um miasma, uma combinação de odores danosos e pútridos, de pântanos turfosos poças estagnadas e matéria orgânica em putrefação. Muitas das atuais medidas de saúde pública, como o enterro de cadáveres, a construção de redes de esgoto, a coleta de lixo e a drenagem de pântanos, basearam-se no conceito miasmático de doença.
Textos base (para saber mais):
SILVA, Daniel Neves. Peste Negra. Brasil Escola. Link: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/pandemia-de-peste-negra-seculo-xiv.htm
FERNANDES, Cláudio. Peste Negra. História do Mundo. Link: https://m.historiadomundo.com.br/idade-media/peste-negra.htm
Wikipédia. Médico da Peste. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9dico_da_peste
JOHANN, Bernard. Motivo do bico longo das máscaras usadas pelos médicos na Peste Bubônica. Curiosidades. Link: https://www.reservaspelomundo.com.br/curiosidades/motivo-do-bico-longo-das-mascaras-usadas-pelos-medicos-na-peste-bubonica/
Wikipédia. Teoria Miasmática. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Teoria_miasm%C3%A1tica
CURSINO, Malu. Peste Negra: DNA em dentes de 6 séculos revela onde epidemia começou, diz estudo. BBC News Brasil. 16 jun 2022. Link: https://www.bbc.com/portuguese/geral-61813064
GILL,
Victoria. Os ratos são inocentes: pesquisa aponta que humanos
espalharam a peste negra, epidemia mais mortal da história. BBC News
Brasil. 16 jan 2018. Link: https://www.bbc.com/portuguese/geral-42697733
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Atropa Belladonna
Autora do Resumo: Marissol Ferreira da Rocha
A Atropa belladonna, é uma planta medicinal também conhecida por beladona ou, cereja-do-inferno, que pertence à família Solanaceae, sendo originária da Europa, Norte da África e Ásia Ocidental e comumente cultivada em Portugal.
Embora toda a planta seja venenosa, podendo causar intoxicações gravíssimas quando ingeridas, algumas partes são mais perigosas e tóxicas. Por exemplo, as folhas, raízes e frutos. O que exige cuidado com o seu uso como medicamento.
Dentre os princípios ativos presentes na beladona, vale destacar a atropina, nas partes aéreas da planta, que possui ação antiespasmódica, e cumarina, nas raízes e rizomas, que possui ação antiprotozoária, antibacteriana e estudos promissores como anti-hipertensivo.
No seu uso terapêutico, vale destacar como antiespasmódico bronquico, uterino, gástrico, renal; em colírio dilatador de pupila; em bradicardia sinusal; diminuição de saliva em anestesia e intubação.
A beladona possui efeito psicoativo, por produzir alucinações, podendo ser usada como droga recreativa. Mas, devido ao seu alto potencial de toxicidade, o usuário para este fim corre sério risco.
Dentre os efeitos colaterais, vale destacar: aumento do batimento cardíaco, boca seca, prisão de ventre, dor de estômago, náusea, olhos secos, visão turva, sensibilidade à luz, dor de cabeça, sonolência, tontura ou confusão mental.
Textos base (para saber mais):
PictureThis. Beladona, Atropa Belladonna. Link: https://www.picturethisai.com/pt/wiki/Atropa_belladonna.html
Porto Editora. Beladona na Infopédia. Porto: Porto Editora. Link: https://www.infopedia.pt/$beladona
CEPLAMT, Centro Especializado em Plantas Aromáticas, Medicinais e Tóxicas, Universidade Federal de Minas Gerais. Beladona. Link: https://www.ufmg.br/mhnjb/ceplamt/bancodeamostras/beladona/
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A União de Duas Eletricidades
Alessandro Volta (esquerda) e Luigi Galvani (direita).Fontes: https://www.britannica.com/biography/Alessandro-Volta
https://www.tekportal.net/galvani/
Autores do Resumo: Matheus Rezende de Miranda e Luiz Miguel Parada Alves da Silva
A História da Eletricidade é longa e complexa, remonta-se aos registros de Thales de Mileto, ainda no Século VI antes da era Cristã, ao observar que o âmbar (elektron em grego) ao ser esfregado em lã de carneiro adquiria o poder de atrair objetos pequenos e leves, como pedaços de folhas secas ou fios de cabelo, passando por desafios como o proposto por Benjamin Franklin, em meados do Século XVIII, de que os raios em tempestades eram manifestação de um fenômeno elétrico, porém com grande quantidade dessa eletricidade.
Um marco importante e interessante na História da Ciência no campo da Eletricidade foi a descoberta de que fenômenos biológicos como a contração muscular e a condução de sinal nervoso faziam parte de um mesmo conjunto de fenômenos estritamente físicos e químicos. Este marco pode ser entendido como a união de duas eletricidades.
Essa união envolveu, o debate entre dois pesquisadores italianos do Século XVIII, Luigi Galvani, médico, fisiologista e anatomista, e o físico e químico Alessandro Volta. Luigi Galvani observou que a perna de uma rã dissecada, que tinha seu nervo espinhal fixado a um fio de cobre, sofria contração muscular ao tocar uma placa de ferro. Ele explicou que este fenômeno era devido à eletricidade animal. O experimento atraiu a atenção de Alessandro Volta que passou a estudá-lo, chegando à conclusão que o mesmo era produzido pela interação entre os dois metais, portanto uma força elétrica comum aos metais e não específica dos seres vivos. Mais tarde, Volta veio a inventar a pilha voltaica que gerava o que ele denominou de corrente galvânica. Este dispositivo gerava uma corrente elétrica constante usando metais diferentes imersos em um líquido condutor. A descoberta de Volta levou ao desenvolvimento da teoria da eletricidade, que ajudaram a explicar muitos fenômenos elétricos na natureza.
Fato curioso, anteriormente às conclusões obtidas do debate entre Galvani e Volta, é que os fenômenos elétricos relacionados à Biologia levaram à ideia de um fluido elétrico presente nos seres vivos: "eletricidade vital". Inclusive era esta eletricidade que Galvani acreditava estar presente em sua experiência com rã. Esta crença está presente em muitas culturas ao longo da história, cuja ideia é que os seres vivos possuem esta energia elétrica única e vital que lhes dá vida e saúde. Embora essa ideia tenha sido amplamente desacreditada pela Ciência Moderna, ela ainda é promovida em algumas práticas de terapias alternativas que utilizam pontos de estímulos, ao afirmar que o corpo tem pontos de “energia” que podem ser manipulados para melhorar a saúde e o bem-estar. No entanto, não há evidências científicas para apoiar a existência da "eletricidade vital", a energia elétrica que é gerada dentro do corpo humano é produzida por processos biológicos normais, não tendo nenhuma relação com uma suposta energia vital ou espiritual. Não obstante, técnicas como a Acupuntura têm sua eficácia comprovada em tratamento sintomático para dores em diversos estudos.
Saindo da Ciência e indo para a Literatura, o romance gótico "Frankenstein" da britânica Mary Shelly, publicado pela primeira vez em 1818, narra a criação do monstro Frankenstein, criado a partir de partes de cadáveres, por Victor Frankenstein, um jovem estudante de ciências que busca alcançar a imortalidade e criar vida a partir da morte. Na história, Victor Frankenstein utiliza diversos conhecimentos científicos para criar o seu monstro, incluindo a eletricidade. Embora Shelley não tenha mencionado diretamente o experimento do italiano Luigi Galvani com pernas de rãs, é possível que ela tenha se inspirado no conceito de animação da vida através da eletricidade para criar o seu enredo.
A ideia de ressuscitar ou criar vida a partir da morte é um tema recorrente na literatura e na cultura popular, e o romance de Mary Shelley é considerado uma das primeiras obras de ficção científica moderna. A história de "Frankenstein" levanta questões importantes sobre a ética na ciência e a responsabilidade que os cientistas têm com suas descobertas e invenções. A influência do romance "Frankenstein" é ampla e profunda, e a obra tem sido objeto de inúmeras adaptações em diferentes mídias, incluindo cinema, televisão, teatro e literatura. A história de Victor Frankenstein e seu monstro continua a inspirar e intrigar leitores e estudiosos em todo o mundo.
Textos base (para saber mais):
Wikipédia. Bioeletricidade. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Bioeletricidade
Van Hal, Michele; Dydyk, Alexander M.; Green, Michael S. Acupuncture. Pubmed. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan. 2022 Jul 25. Link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30335320/
Física"Crush". Vamos falar da História da Eletricidade? Galvani x Alessandro Volta. 30 abr. 2018. Link: https://fisicacrush.blogspot.com/2018/04/vamos-falar-da-historia-da-eletricidade.html?m=1
Wikipédia. Frankenstein. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Frankenstein
Maestrovirtuale.com. História da eletricidade: histórico e desenvolvimento desde sua origem. Link: https://maestrovirtuale.com/historia-da-eletricidade-historico-e-desenvolvimento-desde-sua-origem/
Portal da Engenharia. História da Eletricidade – Descubra como surgiu e veja toda a história da eletricidade! Link: https://portaldaengenharia.com/historia-da-eletricidade/
Frazão, Dilva. Alessandro Volta. Ebiografia. 29 jul. 2019. Link: https://www.ebiografia.com/alessandro_volta/
Raicik, Anabel Cardoso. Galvani, Volta e os experimentos cruciais: a emblemática controvérsia da eletricidade animal. Investigações em Ensino de Ciências. Vol. 25(1), abr. 2020, pp. 358-383. Link: https://ienci.if.ufrgs.br/index.php/ienci/article/download/1620/pdf
Frazão, Dilva. Luigi Galvani. Ebiografia. 29 jul. 2019. Link: https://www.ebiografia.com/luigi_galvani/
Wikipédia. Alessandro Volta. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Alessandro_Volta
Wikipédia. Luigi Galvani. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Luigi_Galvani
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Uso de Cobaias
Autora do Resumo: Isabella Carius Gonçalves Guilherme
O uso de cobaias é algo frequente no teste de vacinas, medicamentos, cosméticos e até mesmo de produtos de limpeza. Essas cobaias ficam em laboratórios, onde geralmente tem o acompanhamento de cientistas e veterinários, que auxiliam no desenvolvimento e no controle dos testes sobre os animais.
Vale lembrar que, quando pensamos em testes com seres vivos, não são necessariamente só animais como porquinhos da Índia, coelhos e ratos. Também podemos estar falando em testes com seres humanos. Por isso, devemos ter em mente que esses testes preveem ser aplicados de forma controlada e em prol da promoção da saúde da população.
Outro fato que costuma-se pensar, quando falamos no uso de cobaias, é nos maus-tratos que esses animais sofrem. Mas, apesar de, por vezes isso realmente acontecer, testes criteriosos exigem determinadas regras, como o uso de um número mínimo de animais necessários e tentando respeitar o máximo possível os direitos dos animais, impondo limites à dor e ao sofrimento. Além disso, atualmente, preconiza-se o uso de cobaias somente quando esses testes são indispensáveis.
Muitos dos animais que são utilizados como cobaias são criados em ambientes, com a procriação controlada e já com a intenção de serem utilizados em testes de laboratórios e indústrias. Estes testes visam não só benefícios para nós, humanos como também para os próprios animais, já que são utilizados para a produção e melhora de rações e medicamentos para eles próprios.
Entretanto, como tudo na sociedade em que vivemos, o uso dessas cobaias tem prós e contras. Se por um lado traz benefícios tais como o desenvolvimento de medicamentos e anestésico, a garantia da qualidade de vacinas, a segurança no uso de produtos químicos, etc. Por outro lado, a falta de controle e segurança maiores, muitas vezes aliados à pressa e ganância financeira, levam a maus-tratos aos animais, que muitas vezes tem reações negativas e mesmo a mortes desnecessárias.
Existe
muita polêmica no uso de cobaias. No uso de cobaias animais, uma grande
polêmica surge na indústria de cosméticos que testam os seus produtos
de forma a expor os animais a limites de reações e danos físicos,
gerando grande sofrimento.
Recentemente, foi lançado um
curta-metragem de animação chamado “Salve o Ralph”, no qual é
apresentado um coelho, cobaia na indústria de cosméticos, que passa por
vários testes com produtos e vai tendo reações que causam dor, cegueira
entre outros danos. Esse curta-metragem gerou muita polêmica e levantou a
questão do uso de animais para esses testes, alegando que eles sofrem
muitos maus-tratos. Com isso, empresas da área de cosméticos que não
fazem uso de testes em animais acabam sendo beneficiadas, já que as
pessoas condenam as empresas que, por outro lado, fazem o uso dessas
cobaias.
Historicamente, o uso de seres humanos como cobaias também gerou polêmicas. Um exemplo bem conhecido foram os testes feitos nos campos de concentração na Alemanha durante o regime Nazista.
Outro caso é o de Anarcha Westcott, uma escrava afro-americana que, aos 17 anos, sofrendo de raquitismo (uma deficiência nutricional de vitamina D, cálcio ou fósforo) de forma a ter sua pélvis mal formada que dificultava o parto de seu primeiro filho em 1820, ter sido usada para experimentos. Ela entrou em trabalho de parto e após três dias deu à luz a um natimorto. Após isso, a jovem foi submetida a uma série de procedimentos cirúrgicos experimentais sem anestésicos, tudo isso liderado pelo médico ginecologista Marion Sims. Muitas outras mulheres negras foram submetidas a procedimentos cirúrgicos com Marion Sims sem o seu consentimento, sentindo dores absurdas, pois acreditava-se que negros eram mais tolerantes à dor. Seus experimentos, fizeram com que Marion Sims entrasse para a história como um médico que revolucionou a cirurgia ginecológica.
Hoje em dia, os testes com seres humanos são feitos de uma forma humanitária. As pessoas se voluntariam para ajudar com desenvolvimento de medicamentos e tratamentos para doenças entre outras coisas. Devemos ressaltar, que esses testes não são feitos primeiro nos seres humanos, existe uma sequência de testes anteriores, em materiais orgânicos, em células, organismos vivos inferiores, animais, etc.
Um exemplo bem interessante e bem importante para a medicina é o experimento de medicamentos contra a AIDS. Muitas pessoas se voluntariam para que remédios e coquetéis (uso de vários medicamentos combinados para obter um melhor resultado) sejam desenvolvidos e possam ajudar futuramente outras pessoas. Desta forma, os cientistas conseguem desenvolver medicamentos importantes e evolui-los, ajudando na nossa sobrevivência com melhores condições de vida.
Esperamos caminhar para um dia termos critérios tão rigorosos como estes com os animais.
“Chegará o dia em que todo homem conhecerá o íntimo dos animais. Nesse dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a própria humanidade.” Leonardo da Vinci
Textos base (para saber mais):
Fidalgo, Sabrina. "Cobaias humanas": o lado mais obscuro da maldade humana. Vogue Gente. Globo.com. 29 mar 2021. Link: https://vogue.globo.com/Vogue-Gente/noticia/2021/03/cobaias-humanas-o-lado-mais-obscuro-da-maldade-humana.html
Cobaias humanas. Ciência. Super Interessante. 31 out 2016. Link: https://super.abril.com.br/ciencia/cobaias-humanas/
Batalha, Elisa. Uso de animais em pesquisa abrange desafios éticos e compromisso com novas tecnologias. Revista Radis. 23 fev 2017. Fiocruz. Link: https://portal.fiocruz.br/noticia/uso-de-animais-em-pesquisa-abrange-desafios-eticos-e-compromisso-com-novas-tecnologias
Sanson, Cesar. Cobaias de cosméticos. Instituto Humanitas Unisinos. 10 jul 2012. Link: https://ihu.unisinos.br/categorias/172-noticias-2012/511349-cobaias-de-cosmeticos
Nauata, Felipe Macedo. Maus tratos aos animais através da experimentação científica. Jus.com.br. 05 abr 2018. Link: https://jus.com.br/artigos/65240/maus-tratos-aos-animais-atraves-da-experimentacao-cientifica
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Biomas Mundiais
Biomas Mundiais conforme a distribuição hídrica e a temperatura. Fonte: https://profalexeinowatzki.wordpress.com/biomas-terrestres/Autora do Resumo: Eduarda Alves Honorato da Silva
Ao se fazer uma busca rápida pelo termo de bioma, descobre-se que, em sua etimologia, ele se origina de BIO que se refere à vida e ÓGKOMA que se refere a massa, inchaço, tumor. Este termo surge na Biologia em 1916 com Clements, a princípio como sinônimo de comunidade biótica e aos poucos agregando aspectos climáticos e de solo, aproximando-se do conceito de ecossistema.
O termo bioma é empregado com diferentes sentidos conforme o contexto. A exemplo disso, observa-se o uso pela literatura biogeográfica brasileira como sinônimo de província biogeográfica, definindo como biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.
Contudo, aqui, bioma será empregado como ecossistemas terrestres com vegetação característica e um tipo de clima predominante, que dá ao bioma aspectos de caráter geral e único.
Dentro deste princípio define-se sete principais biomas mundiais: Tundra, Taiga, Floresta Temperada, Floresta Tropical, Savanas, Pradaria e Deserto.
Taiga:
Taiga. Fonte: https://www.estudokids.com.br/taiga-caracteristicas-onde-encontrar-e-riscos-de-extincao/A taiga é um bioma localizado no Hemisfério Norte do planeta, em países como Estados Unidos, Canadá e Rússia. É uma vegetação típica de clima frio, com elevado grau de adaptabilidade climática, em razão das temperaturas extremas. Esse bioma é conhecido pela homogeneidade das suas espécies vegetais.
Tundra:
Tundra. Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/tundra.htmO nome tundra é de origem finlandesa “Tunturia”, que significa “planície sem árvores”. Através desse nome, é possível ter uma ideia sobre a vegetação desse bioma. Esse bioma é frio e inabitável com um tipo vegetação espalhada, em grande parte rasteira. A tundra é o bioma mais frio da terra.
Floresta temperada:
Floresta Temperada. Fonte: https://www.barrameda.com.ar/ecologia-pt/florestas-temperadas/A floresta temperada é um bioma encontrado no centro da Europa, sul da Austrália, Chile, leste da Ásia, principalmente na Coreia, no Japão e algumas partes da China e no leste dos Estados Unidos. Também é chamada de floresta decídua temperada ou de floresta caducifólia porque as folhas caem no fim do outono.
Floresta tropical:
Floresta Tropical. Fonte: https://conhecimentocientifico.com/floresta-tropical-onde-e-encontrada-fauna-flora-e-clima-predominante/O bioma floresta tropical e subtropical úmida é um tipo de ecossistema que ocorre aproximadamente dentro da região compreendida entre a latitude de 35 graus norte e a latitude de 35 graus sul – em outras palavras, na zona equatorial entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio.
Savana:
Savana. Fonte: https://www.infoescola.com/biomas/savanas/Savana é um tipo de vegetação onde se predominam as gramíneas, árvores pequenas e arbustos. O bioma, típico de regiões de clima tropical e seco, faz transição com diversos outros biomas no Brasil, onde é chamado de Cerrado, com exceção dos pampas.
Pradaria:
Pradaria. Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/pradarias.htmTambém conhecido como Campos do Sul ou Pampas, a Pradaria é um bioma caracterizado, principalmente, pela presença de vegetação campestre, típica de regiões de clima subtropical, composta por gramíneas, herbáceas e algumas árvores. Na América do Sul, este bioma ocupa uma área de 750 mil km².
Deserto:
Deserto. Fonte: https://www.ecycle.com.br/deserto/O termo deserto designa um bioma de vegetação rarefeita ou inexistente, o que se deve às condições edafoclimáticas (referente ao solo e ao clima) encontradas nessas áreas. As plantas do deserto são geralmente espécies de pequeno e médio porte adaptadas aos longos períodos de seca e a variações bruscas de temperatura.
Textos base (para saber mais):
Origem da Palavra. Bioma. Link: https://origemdapalavra.com.br/palavras/bioma/
Santos, Vanessa Sardinha dos. O que é Bioma? Brasil Escola. Link: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/biologia/o-que-e-bioma.htm
Wikipédia. Bioma. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Bioma
Castilho, Rubens. Bioma. Toda Matéria. Link: https://www.todamateria.com.br/bioma/
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Da Alquimia à Ciência Moderna
Prometeu ao perceber que o homem se tornara frágil diante das qualidades dadas aos diversos animais, roubou o fogo dos deuses e o deu à humanidade. Diante disso, foi condenado eternamente a ter parte de seu fígado devorado todos os dias por abutres. A Mitologia Grega figura talvez a primeira experiência humana com o que viria a ser chamada de Química.
O uso do fogo pela humanidade data do Paleolítico (2,5 milhões de anos), que se dava pelo seu uso ao pegar madeira incendiada por raios. Mas o seu domínio se fez com a descoberta de que ele poderia ser obtido pela fricção de pedras pelo Homo erectus há 1,8 milhões de anos e, mais tarde, com o uso de resinas para a sua manutenção.
Apesar do fogo não ser mais considerado um dos 4 elementos da natureza, junto à terra, à água e ao ar, como era tratado pela Filosofia Grega Antiga, e sim um efeito visível da matéria em transformação, justamente por este fato ele é um fenômeno que envolve a Química como a conhecemos hoje. E, portanto, um dos primeiros contatos da humanidade com ela.
Mas, apesar do esforço do homem em dominar o fogo, é com a Alquimia que surge de fato um olhar mais sistematizado para entender e controlar as transformações da matéria que é conteúdo da Química de hoje.
A Alquimia é de origem incerta, mas acredita-se que ela já era praticada por volta dos anos 300 a.C. na Alexandria.
Na Idade Média, era uma prática mística que buscava um conhecimento da natureza e uma elevação pessoal maior. Estas metas estão representadas nas buscas da Pedra Filosofal, que permitiria transformar qualquer substância em ouro e o Elixir da Vida ou da Imortalidade, que permitiria a cura de todos os males e a vida eterna.
Os conhecimentos e técnicas obtidos pela Alquimia contribuíram para a Química, a Física, a Metalurgia, a Medicina. É na Alquimia que se dá o desenvolvimento, por exemplo, da pólvora.
O Renascimento fez surgir um movimento cultural que promoveram em pensadores, artistas e "cientistas" (filósofos da natureza) uma mudança na forma de explicação do saber. Foi quando a Alquimia começou a mudar, o que antes era um estudo místico, dogmático e supersticioso passou a se transformar em uma nova forma de buscar conhecimento através da experimentação atada a uma justificação/explicação lógica para o fato. Aqui, vale destacar a figura de Robert Boyle, com o seu livro intitulado 'O Químico Cético' (The Sceptical Chymist).
No Iluminismo, herdeiro deste movimento de Revolução Científica, prega a libertação do pensamento para o uso pessoal da razão, nasce Antoine Lavoisier. Lavoisier foi o primeiro a observar que o oxigênio é possível entrar em combustão, quando este faz contato com alguma substância inflamável. Também baseado em algumas reações deduziu sua Lei da Conservação: "Na natureza nada de cria, nada se perde, tudo se transforma". Foi esse tipo de pensamento que marcou o início da Química Moderna.
Textos base (para saber mais):
Pedrolo, Caroline. História da Química. InfoEscola. Link: https://www.infoescola.com/quimica/historia-da-quimica/
Fogaça, Jennifer. Da Alquimia à Química. Manual da Química. Link: https://m.manualdaquimica.com/curiosidades-quimica/da-alquimia-quimica.htm
Batista, Carolina. Alquimia: conceito, origem, história. Toda Matéria. Link: https://www.todamateria.com.br/alquimia/
Musitano, Manuela. O homem e o fogo. 29 nov 2021. Invivo, Museu da Vida, Fiocruz. Link: https://www.invivo.fiocruz.br/cienciaetecnologia/o-homem-e-o-fogo/
A Graça da Química. O que é fogo. Link: https://agracadaquimica.com.br/o-que-e-o-fogo/
Mural de História. Como era a vida do ser humano no Período Paleolítico. Link: https://www.muraldehistoria.com.br/2021/08/como-era-a-vida-do-ser-humano-no-paleolitico.html?m=1
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AS ESPECIARIAS NOS SÉCULOS XV e XVI
La Spezieria (A Loja de Especiarias) de Paolo Antonio Barbieri (1603–1649). Link: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Barbieri,_Paolo_Antonio_-_The_Spice_Shop_-_1637.jpg
Autor do Resumo: João Miguel Goes Tavares
As
especiarias são condimentos que tem uma grande importância dentro de
nossa história, desde o surgimento das primeiras sociedades sedentárias,
até nos dias de hoje. Em sua maioria são conhecidas por conta da
culinária, onde as chamamos de temperos, que dão sabor a diversos pratos
típicos. Porém, essa não é sua única função, pois elas também tem
grande participação na saúde, na produção de remédio, na produção de
alguns cosméticos e até mesmo, por um bom tempo, antes da invenção dos
refrigeradores, elas foram essenciais para a conservação de alguns
alimentos.
As principais especiarias e mais conhecidas são: a
pimenta, o gengibre, o cravo, a canela, a noz-moscada e algumas ervas
aromáticas. Por volta do século XV, na Europa, as especiarias tinham um
valor absurdamente alto, pois o continente não era propício ao planPor
volta do século XV, na Europa, as especiarias tinham um valor
absurdamente alto, pois o continente não era propício ao plantio de
muitas delas. Então em sua grande maioria, elas eram importadas do
continente Asiático, mais especificamente da China e da Índia. Apenas
aqueles da alta burguesia tinham acesso à compra dessas especiarias. Os
grandes polos comerciais de especiarias dentro da Europa eram duas
cidades italianas: Gênova e Veneza; que compravam da China e da Índia, e
vendiam por um preço altíssimo para os outros países Europeus.
A
principal rota comercial de especiarias entre a Europa e a Ásia era pelo
Mar Mediterrâneo, mas no século XVI, os portugueses traçaram uma rota
alternativa até a Ásia, para evitarem comprar com Gênova e Veneza pelos
preços cobrados. Essa rota traçada era pela costa africana, e foi
através dela , que conseguiu-se derrubar o monopólio dos Italianos.
Foi
a partir desta rota comercial que se dá, também, o acesso às Américas,
não apenas os portugueses, mas também os espanhóis e ingleses. Dentro
das Américas, eles puderam ver a variedade enorme de especiarias que
haviam ali, e começaram a exploração em massa dessas especiarias.
Dando
um destaque para uma especiaria muito importante no “descobrimento” das
Américas, a pimenta. Diferente das pimentas asiáticas, os europeus
diziam que o aroma e o sabor de nossas pimentas, originárias do México,
eram melhores. Além de também ser muito usada para manter os alimentos
frescos e conservados.
Um fato é, por meio das rotas traçadas, o
comércio de especiarias foi um fator muito importante na globalização,
pois foi um dos primeiros passos para o contato entre outras nações por
meio do comércio, a integração de continentes menos desenvolvidos, como a
América, dentro desse comércio, e o aumento da visão do que seria o
mundo para os europeus.
Textos base (para saber mais):
Ramos, Jefferson Evandro Machado. Especiarias na História. 14 mar 2022. Sua Pesquisa.com. Link: https://www.suapesquisa.com/o_que_e/especiarias.htm
Santiago, Emerson. Rota das Especiarias. InfoEscola. Link: https://www.infoescola.com/historia/rota-das-especiarias/
Cesar, Eduardo. Pimenta, especiaria da América. Pesquisa Fapesp. Ed. 210. ago 2013. Link: https://revistapesquisa.fapesp.br/pimenta-especiaria-da-america/
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O Uso de Máscaras pela Humanidade
Máscara
de calcário que data de 9 mil anos descoberta pelas autoridades de
prevenção de roubos de Israel. Foto de Clara Amit, Israel Antiquities
Authority. Link:
https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/12/mascara-de-9-mil-anos-surpreende-arqueologos-e-levanta-suspeitas
Autora do Resumo: Mayara Gomes da Costa
Acredita-se que o homem faz uso de máscaras desde o Período Paleolítico há cerca de 2,5 milhões de anos. Registros pictóricos sugerem representação do uso de máscaras. Já descobertas arqueológicas que datam de 9.000 anos, Período Neolítico, constam achados de máscaras confeccionadas em pedra. Sua utilidade é duvidosa, mas para estas descobertas, dado o período de transição para a formação de comunidades assentadas, existe a possibilidade do uso como ritual de controle social.
No Egito Antigo, o uso de máscaras mortuárias era comum. Máscaras rituais estavam presentes nas culturas antigas da América: Maias, Asteca e Incas. Observa-se também que povos tribais africanos, povos das Ilhas Polinésias, no Oceano Pacífico, os Esquimós e os Ameríndios tanto da América do Norte como do Sul usam máscaras em rituais festivos e/ou sagrados. Mostrando que elas têm importantes significados religiosos e espirituais, sendo utilizadas em rituais e servindo para estabelecer a conexão com os ancestrais e outros seres divinos.
Neste contexto, observa-se o uso das máscaras em cerimônias de celebração, rituais de iniciação, casamentos, nascimentos, funerais, em cerimônias de preparação para a guerra e rituais para evocar ou afastar espíritos.
A origem do teatro grego, no Século VI a.C., remonta as festas dionisíacas realizadas em homenagem ao deus Dionísio. Nestas festas (ou ritos religiosos) era usado vinho para induzir “transe” ou desinibição e tinha como tema a morte e o renascimento. Destes ritos desenvolveu-se um festival onde eram encenadas tragédias e sátira.
A máscara teatral era usada para dar destaque às feições desejadas conforme o contexto da peça. Serviam para permitir ver-se, a distância, a expressão que se queria dar a determinado personagem. Neste sentido, pode-se dizer o mesmo das máscaras utilizadas no teatro tradicional do Japão.
Máscaras de guerreiros, gladiadores, armaduras faciais podem ter sido as primeiras máscaras de proteção “profissional”. No Século XVII, durante o surto de Peste Negra, surge uma figura que se tornou famosa: o Médico da Peste, que talvez tenha sido o primeiro uso de uma máscara para proteção médica. A máscara do Médico da Peste possuía um bico, como de uma ave, longo onde era inseridas ervas para evitar que o cheiro emanado pelos atingidos pela peste negra contaminassem aquele que usava, pois acreditava-se que a doença vinha desse cheiro – miasma.
Conforme o caso, estas máscaras podiam dar um aspecto mais corajoso ou assustador.
Essa mesma máscara do Médico da Peste, ganha espaço no Carnaval de Veneza, festa que remonta a Idade Média e era uma tolerância a uma festividade de origem pagã, em antecedência à Quaresma Cristã. O uso da máscara nesta festa tinha a intenção de ocultar a identidade.
Durante
a Primeira Grande Guerra, os soldados, bem como seus animais de
transporte, fazem uso de máscaras para proteção contra gases tóxicos.
Atualmente,
diversas profissões possuem equipamentos de proteção facial para gases,
luz, calor, micro organismos, poeira, fumaça.
Recentemente, com a Pandemia de Covid-19, a máscara de proteção respiratória, de uso em espaços hospitalares, ganhou as ruas. Houve muita discussão se elas protegiam, qual seria a apropriada, se poderia ser reutilizada, quem deveria utilizar. A incerteza e o pânico tomou espaço da informação embasada, gerando muito conflito de ideias.
Da passagem do uso da máscara com uso ritual para o uso teatral e do teatral para o profissional, passando pelo uso simplesmente festivo, fica a impressão de que ela sempre esteve presente como um imaginário de proteção ou de transposição; de separar o dentro (nós mesmos, nossa individualidade) do que está fora (aquele que queremos afastar ou evocar). Cobrir o rosto, seja em qualquer situação, deixa a impressão que o desconhecido ou o divino pode estar próximo sem tirar nosso controle de nós mesmos.
Textos base (para saber mais):
Santana, Ana Lucia. História das Máscaras. InfoEscola. Link: https://www.infoescola.com/artes/historia-das-mascaras/
Romey, Kristin. Máscara de 9 mil anos surpreende arqueólogos e levanta suspeitas. National Geografic. 6 dez 2018. Link: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/12/mascara-de-9-mil-anos-surpreende-arqueologos-e-levanta-suspeitas
Oliveira, Roberto Acioli de. Máscaras: Papua Nova Guiné e Oceano Pacífico. 13 nov 2014. Corpo e Sociedade. Link: https://corpoesociedade.blogspot.com/2014/11/mascaras-papua-nova-guine-e-oceano_13.html?
Wikipédia. Dioniso. Link: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dioniso
Porto, Lidianne. As máscaras gregas: presentes no teatro, na tragédia e na comédia. 19 nov 2019. Escola Educação. Link: https://escolaeducacao.com.br/mascaras-gregas/
Wikipédia. Médico da peste. Link: https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9dico_da_peste
Gearini, Victória. De máscaras a comida em lata: 5 itens curiosos de soldados da Primeira Guerra Mundial. 27 jun 2021. Aventuras na História. Link: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/de-mascaras-comida-em-lata-5-itens-curiosos-de-soldados-da-primeira-guerra-mundial.phtml
Mota. P. H. Carnaval de Veneza: origem, história, características e atrações. Segredos do Mundo. Link: https://segredosdomundo.r7.com/carnaval-de-veneza/
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Classificação dos Seres Vivos
Autora do Resumo: Mariana de Souza Calegario
Na Ciência cada ser vivo é separado em grupamentos conforme sua espécie, de forma a facilitar sua identificação.
Para
possibilitar esta identificação e proporcionar uma comunicação
universal, existe uma estrutura na denominação dos seres vivos compostas
por dois nomes: nomenclatura binomial.
Contudo, a classificação já estava presente entre estudiosos em tempos anteriores. Aristóteles (Séc. IV a.C.), filósofo grego, classificou os animais em: aéreos, terrestres e aquáticos, usando como critério o ambiente em que viviam. Considerava ainda os animais com sangue e sem sangue; os animais úteis e nocivos. Teofrasto (Séc. IV, III a.C.), discípulo de Aristóteles, classificou as plantas em ervas, arbustos e árvores, seguindo um critério de tamanho. Avaliava, também, as úteis e as nocivas. Já Santo Agostinho (Séc. IV), teólogo e filósofo, separou os animais em úteis, nocivos e indiferentes ao homem.
Mas é com Lineu (1707 - 1778), ao publicar, em 1735 o livro Systema Naturae, onde se encontra a base classificatória que utilizamos hoje. Ele dividiu os seres vivos em categorias e níveis de classificação e atribuiu a cada um dos seres vivos uma denominação que usa dois nomes, nomenclatura conhecida como Sistema Binomial.
A língua escolhida para a nomenclatura foi o Latim, muito utilizada para a divulgação em Ciência durante muito tempo. Além disso, por ser uma “língua morta” (não ser adotada por mais nenhum país), não apresenta o inconveniente de sofrer alteração.
Taxonomia
(do grego taxon, categoria, grupo e nomos, conhecimento) é o ramo da
Biologia que se ocupa destas classificação e nomenclatura dos seres
vivos.
As 7 principais categorias taxonômicas dos seres vivos são: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie.
Para
esta classificação usam-se critérios evolutivos e analisa-se,
comparativamente Morfologia e Anatomia, referente ao aspecto dos seres;
Fisiologia, referente à composição química e estruturas referentes à
manutenção e elaboração desta composição; Embriologia, referente ao
desenvolvimento embrionário; Nível celular; aspectos reprodutivos; e,
atualmente, análises genéticas
Mas na Nomenclatura dos seres
usa-se apenas as duas categorias de nível hierárquico mais baixo: o
Gênero e a Espécie. Espécie é a unidade básica que agrupa os indivíduos
com características próprias identificáveis e que, comumente, comungam
reprodução natural gerando descendentes férteis com as mesmas
característica. Já o Gênero corresponde a um agrupamento de espécies que
possuem características morfológicas e funcionais, genômicas muito
próximas, indicando a existência de ancestrais comuns.
Com isso, a Nomenclatura inicia-se com o nome do Gênero seguido da Espécie que o ser vivo pertence. Os dois termos em Latim, com o Gênero escrito co inicial em maiúsculo e a Espécie toda escrita em minúsculo.
Alguns exemplos:
Cães e lobos possuem ancestrais comuns, eles pertencem ao mesmo gênero: Canis. Mas são de espécies diferentes:
- Lobo: Canis lupus;
- Cão: Canis familiaris.
Já a mosca das frutas e a mosca comum não pertencem ao mesmos Gênero:
- Mosca das frutas: Drosophila melanogaster;
- Mosca comum: Musca domestica.
O
nome da Espécie não deve ser escrito sozinho, pois especifica um grupo
dentro de certo gênero. Além disso, ele pode se repetir em gêneros
diferentes caracterizando espécies diferentes:
Scuticaria kautskyi e
Maxillaria kautskyi, duas espécies de orquídeas distintas com o mesmo
nome de Espécie, contudo o Gênero as definem como sendo espécies
diferentes.
Já o nome do Gênero pode ser usado sozinho, sempre que se tiver tratando de todas as espécies daquele gênero.
Alguns outros exemplos:
- Mosquito comum: Culex pipiens;
- Mosquito da malária: Anopheles sp, o sp está secreferindo à qualquer espécie deste gênero;
- Mosquito da dengue: Aedes aegypti.
O maior felino das Américas, onça-pintada: Panthera onca.
Textos base (para saber mais):
Educabras. Classificação dos seres vivos. Link: https://www.educabras.com/enem/materia/biologia/classificacao_dos_seres_vivos/aulas/classificacao_dos_seres_vivos
Toda Matéria. O que é taxonomia e como é feita a classificação biológica. Link: https://www.todamateria.com.br/taxonomia-classificacao-biologica/
Wikipédia. Género (biologia). Link: https://www.todamateria.com.br/taxonomia-classificacao-biologica/__________________________________________________
Carl Sagan
Carl
Sagan no Very Large Array, um observatório de radioastronomia composto
de 27 antenas (New Mexico, EUA; Crédito: Cosmos/Discovery) e disco de
ouro da Voyager (frente e verso). Fonte: https://www.monolitonimbus.com.br/carl-sagan/
Autor do Resumo: Thomas Marins Oliveira
Carl Edward Sagan (1934-1996) foi um cientista, astrônomo, escritor e ativista norte-americano, que ficou muito conhecido pela sua série de TV, exibida em 1980, "Cosmo: uma viagem pessoal", e pelos seus mais de 20 livros de divulgação científica, trazendo suas opiniões interessantes a respeito do universo.
“Se não existe vida fora da Terra, então, o universo é um grande desperdício de espaço.”
“O
que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos
ou a ideia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?”
Em 1960, Carl se doutorou em Astronomia e Astrofísica na Universidade de Chicago.
Posteriormente, entre 1962 e 1968, trabalhou no Observatório Astrofísico Smithsonian, em Massachusetts, e, ao mesmo tempo, foi professor na Universidade de Harvard.
No contexto da guerra fria, Sagan conscientizou a opinião pública sobre os efeitos de uma guerra nuclear, quando um modelo matemático climático sugeriu que tal situação poderia desestabilizar o equilíbrio da vida na Terra. O mesmo foi coautor do artigo científico que apontava a hipótese de um inverno nuclear global como consequência de uma guerra como esta.
O
astrônomo teve participação importante no desenvolvimento de programas
espaciais da NASA, sendo colaborador da mesma, e expressivamente
presente nas missões de lançamento da sonda Galileu e das sondas Pioneer
e Voyoger.
Carl Sagan e seu colega Frank Drake incluiram nas sondas
Pioneer 10 e 11 as Placas Pioneer, que fornecem informações sobre a
localização do nosso sistema solar e um diagrama com figuras humanas,
para o caso delas encontrarem vida inteligente. Alguns anos após o
lançamento, eles desenvolveram o Disco de Ouro Voyager, com uma mensagem
mais complexa e detalhada, anexada nas sondas Voyager 1 e 2.
Sagan sempre se interessou e quis acreditar ao máximo que era uma realidade a existência de vidas fora da Terra. Porém, segundo ele, “Essa é a circunstância em que nossas esperanças podem dominar a análise minuciosa de dados.” Sendo um cientista respeitado e um grande defensor do ceticismo e do método científico, Carl nunca aceitou evidências incompletas.
"A verdade pode ser intrigante. Pode demandar algum trabalho para lidar com. Pode ser contra-intuitivo. Pode contradizer preconceitos profundamente arraigados. Pode não ser consonante com o que queremos desesperadamente ser verdade. Mas nossas preferências não determinam o que é verdade."
Carl Sagan morreu por complicações causadas pela pneumonia, aos 62 anos. Ao longo de sua vida, recebeu vários prêmios pelo seu trabalho de divulgação científica.
Textos base (para saber mais):
BBC News Brasil. O que diz a 'escandalosa' mensagem que o astrônomo Carl Sagan enviou aos extraterrestres. 4 jul 2020. Link: https://www.bbc.com/portuguese/geral-53220971
Wikipédia. Placa Pioneer. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Placa_Pioneer
Silva Júnior, Joab Silas da. (publicação) Carl Sagan. Mundo Educação. Link: https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/carl-sagan.htm
https://blog.insiderstore.com.br/3-reflexoes-de-carl-sagan-para-se-aplicar-no-dia-a-dia/
Wikipédia. Carl Sagan. Link: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Carl_Sagan
Pensador. As 25 melhores frases e reflexões de Carl Sagan: o astrônomo mais poético do cosmos. Link: https://www.pensador.com/melhores_frases_reflexoes_carl_sagan_astronomo_cosmos/
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Autoras do Resumo: Ana Lívia de Souza Vale, Geovana de Souza Vale
Um dos primeiros esforços da humanidade para compreender e utilizar a natureza foi através das plantas medicinais, as quais foram de extrema importância para a evolução e história da humanidade já que, além de possuírem diferentes propriedades capazes de ajudar na cura de doenças também estavam presentes em rituais religiosos de diversos povos e culturas, principalmente na Antiguidade e Idade média.
Esse período foi marcado pelo controle e limitação da Igreja sobre o conhecimento intelectual, pois a mesma tinha total influência sobre a forma de pensar e agir da população, cujo objetivo primário era Deus, e ao olhar para a natureza não buscava compreendê-la, mas sim encontrar sinais do divino.
Assim, uma vez que o uso de plantas medicinais poderia alterar o estado físico e mental daqueles que as consumiam, a prática passou a ser vista como inimiga da ideologia cristã, já que na época ainda não era possível explicar a causa desses efeitos, juntamente de suas praticantes — em grande maioria mulheres — que foram consideradas bruxas e perseguidas por serem vistas como uma ameaça para a sociedade.
“A medicina estava limitada pela ideia de que o doente é um pecador cuja cura residia na atuação da Igreja (orações, sacramentos, exorcismos, etc)” Franco Junior (2001 p.143)
No passado, afazeres como a colheita de ervas e o cuidado com as hortas eram vistos em grande parte como tarefas femininas, desse modo o sexo feminino acabou acumulando conhecimentos diversos para o uso de plantas silvestres não apenas no preparo de alimentos, mas também em cuidados médicos passados de geração em geração por curandeiras e feiticeiras.
O desejo de resolver problemas além da saúde — amores, riquezas ou prazeres — fez com que buscassem conhecimento dos efeitos psicotrópicos dos vegetais, e o usavam na produção de poções, que continham drogas capazes de alterar o físico e mental.
Logo, podemos observar que era comum o uso de substâncias alucinógenas e sedativas nas poções, o que na época eram associados a poderes sobrenaturais, mas hoje, depois de anos de desenvolvimento científico, conseguimos explicar como sendo resultado da mistura de diferentes propriedades químicas das plantas.
Muitos detalhes sobre o preparo de tais poções foram perdidos durante a história, mas é possível investigar as plantas usadas como base e compreender seus efeitos.
A muito falada e conhecida "poção do amor" resultava em efeitos afrodisíacos como elevação do ânimo, euforia e alucinações. Sua mistura continha substâncias como a Escopolamina, Atropina e Hiosciamina, presentes em plantas como a Beladona (Atropa belladonna), meimendro ou belenho (Hyosciamus niger) e mandrágora (Mandragora officinarum). Em grande dose, provocava estimulação seguida de depressão, e em pequena dose diminuição salivar, brônquica e a sudorese.
O famoso estereótipo de bruxas em vassouras pode ser explicado por substâncias que após serem passadas em cabos de vassouras e ao entrar em contato com as mucosas da pele geravam alucinações. Também há indícios de algumas mulheres que utilizavam massagens e ervas misteriosas para "voar" em encontro à satanás e outros demônios. Relatos de supostas poções revelam presença de drogas psicotrópicas alucinógenas capazes de transmitir visões incríveis, a impressão de voo e outras sensações comparáveis à orgasmos.
Assim, o uso dessas ervas nas práticas das feiticeiras contribuiu para a ideia de opressão e desconfiança causada pelo medo que seus conhecimentos provocavam, fazendo com que muitos acreditassem que junto com o conhecimento médico elas também possuíam a capacidade de manipular humanos, a natureza e até o sobrenatural, o que foi visto como algo que servia ao mal e por isso deveria ser erradicado.
Dessa forma, instaurou-se uma figura de feiticeiras adoradoras do demônio e praticantes de atos diabólicos, sendo assim, bruxas. Essa imagem fez com que a igreja perseguisse todas praticantes de feitiçaria e passou a culpá-las por acontecimentos negativos — como crises epidêmicas — gerando pânico e histeria entre a população.
No século XIII a Igreja cria o Tribunal do Santo Ofício — mais conhecido como inquisição — para impedir atos que iam contra sua crença, perseguindo e punindo seus praticantes. Características como marcas de nascença, pintas, verrugas, cicatrizes, aparência desagradável, deficiência, idade avançada ou beleza exuberante eram motivos passíveis a denúncias por bruxaria. Cerca de 100.000 mulheres, homens e crianças teriam sido mortos por tais acusações, em sua maioria pela fogueira ou estrangulamento.
Portanto, é importante darmos os devidos créditos a essas mulheres que foram perseguidas e mortas por terem ajudado a manter vivos importantes conhecimentos adquiridos ao longo de séculos sobre as plantas medicinais, que com o avanço científico tiveram suas propriedades reconhecidas e avançaram para a atual fitoterapia.
Desse modo auxiliando no surgimento da medicina alopática moderna, que consiste em tratar as doenças por meio de medicamentos que provocam uma reação contrária aos sintomas para assim reduzi-los ou neutralizá-los, sendo assim a forma de tratamento mais conhecida da medicina tradicional estando presente em cápsulas, comprimidos, xaropes, gotas, cremes etc.
Textos base (para saber mais):
UFJF, Fitoterapia. Programa de Plantas Medicinais e Terapias Não-convencionais. Link: https://www.ufjf.br/proplamed/atividades/fitoterapia/
Morais, Guilherme Barbosa; Moura, João Paulo Carvalho; Silva, Tatyara Monteiro da. Do que eram feitas as poções das bruxas na Idade Média? Guia dos Entusiastas da Ciência. 2021. Link: https://gec.proec.ufabc.edu.br/ciencia-ao-redor/do-que-eram-feitas-as-pocoes-das-bruxas-na-idade-media/
Sterza, Valentino. Plantas mágicas no Medievo: mulheres, magia e Igreja. UFPB, Centro de Educação. Graduação em Ciências da Religião. 2019. Link: https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/16652/1/VS31102019.pdf
Almeida, Luciene. Onde há bruxas, Alquimia e cientistas. NewsLab. 13 dez 2021. Link: https://newslab.com.br/secao-lady-news-onde-ha-bruxas-alquimistas-e-cientistas/
Pissurno, Fernanda Paixão. Caça às bruxas. InfoEscola. Link: https://www.infoescola.com/historia/caca-as-bruxas/
Margaret Mee. Fonte: https://untoldstories.net/1929/05/margaret-mee-explorer-conservationist-botanist-scientific-illustrator/
Autora: Kauane Barcellos de Faria
A Ilustração Botânica é um segmento da Ilustração Científica voltada ao registro gráfico de espécies vegetais.
A Ilustração Científica pode ser encarada como uma área onde Arte e Ciência se encontram. Sua finalidade é registrar com detalhes os aspectos botânicos do espécime observado ou alguma estrutura biológica de forma a auxiliar o pesquisador no registro ou na divulgação de suas descobertas. De forma geral, a Ilustração científica faz uso de diversas técnicas gráficas, desde grafite, nanquim, aquarela, chegando a computação gráfica nos dias de hoje.
A Ilustração Científica possui vantagem sobre uma fotografia dadas as limitações de profundidade de foco e iluminação que uma máquina mantêm fixas e o ilustrador pode registrar em uma única imagem nuances de diferentes focos. Para tal feito, o ilustrador precisa ter conhecimento morfológico das espécies de forma a saber os detalhes a serem destacados na ilustração.
No Brasil, a Ilustração Botânica, em particular, ganhou notoriedade nas mão da Ilustradora inglesa Margaret Mee (1909 – 1988).
Margaret
Mee foi inicialmente educada por sua mãe, uma ilustradora de livros
infantis e, aos 13 anos, já regularmente matriculada em uma escola, sua
arte aparece pela primeira vez. Aos 17 anos na Escola de Artes e
Ciências de Waterford, na Irlanda. Em 1947, ela foi recomendada para a
Escola de Arte de Camberwell como aluna em tempo integral, com uma bolsa
de estudos.
Margaret Mee vem ao Brasil, pela primeira vez, em 1952. A partir desta viagem, Mee conhece a Amazônia, que visita por 15 vezes fazendo observações e ilustrações de espécimes. Em 1958, ocorre suua primeira exposição no Instituto de Botânica de São Paulo que rende a ela um contrato de trabalho.
Após sua morte trágica em um acidente de automóvel, é criado um Fundo Margaret Mee para a Amazônia - Margaret Mee Amazon Trust (MMAT) e, através dele, a Fundação Botânica Margaret Mee, no Rio de Janeiro, que fornece bolsas de estudo nacionais e internacionais a estudantes de botânica brasileiros.
O legado de Margaret Mee ultrapassa o de simples ilustradora botânica, deixando-nos um alerta para espécimes possivelmente extintas, devido à destruição do se habitat, que são conhecidas apenas pelas suas ilustrações.
Textos base (para saber mais):
Núcleo de Ilustração Científica - NicBIO. O que é Ilustração Científica? Link: https://www.nicbio.unb.br/index.php?option=com_content&view=article&id=462&Itemid=102
HiSoUR Arte Cultura Exposição. Ilustração Botânica. Link: https://www.hisour.com/pt/botanical-illustration-17588/
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Imagem extraída de: <https://campusvirtual.fiocruz.br/gestordecursos/hotsite/fitofarmacos>
Autores: Marcos Rezende de Miranda e Marjorie Vitoria Ferreira Fragoso Farias
Dispor de plantas como medicamento faz parte da evolução humana e é um dos primeiros recursos terapêuticos a ser usado. O hábito de utilizar plantas como meio curativo representa uma das primeiras manifestações humana em se compreender e utilizar a natureza.
O aprendizado no uso de plantas com fins terapêuticos foi construído durante gerações, conforme observava-se que algumas plantas possuíam propriedades curativas enquanto outras possuíam propriedades danosas. Neste contexto é que temos hoje comunidades que detém conhecimento de plantas e modo de preparo das mesmas para uso medicinal.
Fitoterapia é uma palavra que se origina da junção dos termos gregos phyton que significa planta e therapia que significa tratamento. Portanto, Fitoterapia é a utilização de propriedades das plantas com a finalidade de tratar enfermidades.
Os seres vivos produzem diversas substâncias químicas que são fundamentais para a manutenção de suas estrutura e funcionamento. Muitos desses fitoquímicos apresentam princípios ativos que tem propriedades que geram benefícios terapêuticos para o ser humano. Daí a origem da Fitoterapia. A utilização destas propriedades dá-se pelo uso direto da planta, por seu processo de industrialização, ou pelo isolamento da substância ativa. Com isso, vêm as diversas categorizações.
Plantas Medicinais são vegetais que possuem propriedades reconhecidas para aliviar ou curar alguma enfermidade. Esta propriedade pode estar presente em maior ou menor quantidade em determinada parte da planta, como raízes, folhas, cascas, etc. São comumente de conhecimento popular de determinadas comunidades e geralmente preparadas como chás ou infusões.
Diferentemente, Droga Vegetal é a planta ou parte dela, que contenha a substância terapêutica após sofrer o processo de estabilização e secagem. Já a substância que possui a propriedade terapêutica é chamada de Princípio Ativo.
Já os Fitoterápicos são o resultado da industrialização destas plantas de forma a obter-se um produto sem contaminação de microrganismos e impurezas, bem como um maior controle de sua quantidade para o uso. Os Fitoterápicos possuem regulamentação da ANVISA para sua comercialização ou, quando manipulados em farmácias de manipulação, são autorizados pela vigilância sanitária.
E fitofármaco é a substância isolada e purificada a partir da matéria prima vegetal, com a estrutura química e a atividade farmacológica definidas. Vale ressaltar que não são considerados fitoterápicos os medicamentos que se utilizam da substância ativa isolada da Planta Medicinal.
Mas não se engane, da mesma forma que um medicamento "comum", seja ele composto por principio ativo sintetizado ou isolado de uma Planta Medicinal, pode possuir efeitos colaterais, chás e outras formas de preparo de Plantas Medicinais ou um Fitoterápico também podem causar reações adversas, como intoxicações, enjoos, irritações e até a morte.
Textos base (para saber mais):
Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa. Medicamentos fitoterápicos e plantas medicinais. Publicado em 21 set 2020, Atualizado em 05 out 2020. Link: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/fitoterapicos
Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz. Fitoterápicos. Link: https://portal.fiocruz.br/fitoterapicos
Mundo Educação. Fitoterápicos. Publicado por Vanessa Sardinha dos Santos. Link: https://mundoeducacao.uol.com.br/saude-bem-estar/fitoterapicos.htm
Associação Paulista de Naturologia - APaNat. Fitoterapia. Link: http://apanat.org.br/fitoterapia/
Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz. Planta medicinal e droga vegetal. Link: https://mooc.campusvirtual.fiocruz.br/rea/medicamentos-da-biodiversidade/planta_medicinal_e_droga_vegetal.html
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Etnobotânica
Autores do Resumo: Lucas Pontes Macedo Vieira, Miguel Ismael Pires
A Etnobotânica une a Botânica e a Etnologia em um só estudo que explora o uso das plantas aplicadas no nosso cotidiano como medicamentos, matéria prima ou até mesmo confecção de roupas. Também é capaz de explicar a interação da humanidade com o mundo vegetal desde os primórdios da sociedade.
Em
se tratando de Brasil, a sua biodiversidade tem grande influência no
desenvolvimento humano. Os povos indígenas usam seus conhecimentos
passados por gerações para utilizar a diversidade local como fonte de
alimento, abrigo e medicamento.
Especificamente
tratando das plantas medicinais, tem-se conhecimento de seu uso
tradicional por séculos, porém os medicamentos registrados no Brasil com
plantas nativas ainda é comparativamente pequeno.
Existe
uma dificuldade em entender a interação entre a cultura, recursos
vegetais e Biologia Humana. A cultura determina como os humanos
respondem aos desafios ambientais, assim como as tradições culturais
reúnem informações para que possamos lidar com mudanças ambientais,
sejam estas naturais ou provocadas. Por isso é importante contar a
história do desenvolvimento da biodiversidade, assim como estudá-la em
um contexto onde os recursos vegetais estão distribuídos, como são
reconhecidos e utilizados por diferentes grupos humanos. Com isso
buscamos uma maior união entre saberes para que possamos conservar e
conhecer melhor a diversidade vegetal e cultural no Brasil.
Textos base (para saber mais):
SciELO
- Scientific Electronic Library Online. Interações (Campo Grande), 16
(1), jan-jun 2015. Etnobotânica: um instrumento para valorização e
identificação de potenciais de proteção do conhecimento tradicional.
Roch, Joyce Alves; Boscolo, Odara Horta; Fernandes, Lucia Regina Rangel
de Moraes Valente. Link: https://www.scielo.br/j/inter/a/bjTCfdnwmLmH5YFCV58LSyy/
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Humboldt - O Primeiro Ambientalista
Autoras do Resumo: Ana Lívia de Souza Vale, Geovana de Souza Vale
Alexander
von Humboldt, nascido na Alemanha em 1769, foi um visionário da
ciência, sendo até mesmo considerado a segunda pessoa mais famosa do
século 19. Isso nos traz a uma pergunta: quais foram seus feitos?
Humboldt
nasceu em uma família muito nobre, tinha apenas 9 anos quando seu pai
morreu, e cresceu com sua mãe que era muito severa e pouco afetuosa, mas
o ofereceu a melhor educação disponível na época. Na juventude, para
não ferir os sentimentos de sua mãe, trabalhou em um cargo público
importante no setor de mineração. Porém, com o falecimento da mesma,
Alexander pediu demissão e usou a farta herança para sair em expedição
pelas Américas, com seu amigo Aimé Bonpland.
Entre 1799 e 1804, o
alemão visitou a Venezuela, Cuba, Colômbia, Peru, Equador, México e
Estados Unidos. Com muitos estudos feitos e dados coletados, foram
descritas cerca de e 60 mil plantas, sendo 6.300 espécies ainda
desconhecidas na Europa. Humboldt também elaborou mapas e coletou dados
climáticos, magnéticos, minerais, zoológicos e étnicos. No Equador,
escalaram o vulcão Chimborazo, considerado, naquela época, a montanha
mais alta do mundo, com 6.268 metros de altura. Lá, encontrou diversas
espécies selvagens e domesticadas, em diferentes altitudes. Humboldt
resumiu sua experiência, com o objetivo de mostrar que o Andes possuía
vários ecossistemas convivendo no mesmo ponto do planeta.
Por
meio de suas pesquisas, ele percebeu padrões que ocorriam na natureza,
como: a maneira como a fauna e a flora mudam entre o equador e os polos é
igual à maneira como se transformam montanha acima. Variações de
latitude e de altitude têm efeitos equivalentes. Se dois lugares têm
clima, relevo e coordenadas parecidas, terão fauna e flora similares.
Humboldt desafiou assim, a maior parte da sociedade da sua geração, pois
o pensamento comum era que a natureza havia sido criada de acordo com
as necessidades do ser humano.
Humboldt voltou à Europa em 1804
com 34 anos, e decidiu por todo o conhecimento sobre a vida e o universo
em um só livro, um texto corrido que entrelaçasse todos os temas. Sendo
descrito como o “o livro de sua vida”, Kosmos, um livro com cinco
volumes foi publicados entre 1845 e 1862. Neles Humboldt alertava sobre
as consequências que a intervenção humana na natureza traria para as
gerações futuras, e também criticava o colonialismo europeu e a
escravidão, o que fermentou a libertação da América Latina. Seus
trabalhos foram a fonte de inspiração para muitos cientistas que viriam a
surgir, um exemplo deles é Charles Darwin.
A conclusão de
Humboldt foi que todos os seres estão complexamente interligados, e cada
organismo precisa do outro para manter sua sobrevivência. Ao destruir a
natureza, estaríamos nos destruindo. Se atualmente sabemos o que é a
natureza e os motivos pelo qual devemos preservá-la, é graças a
Alexander Von Humboldt.
“O homem não pode agir sobre a natureza e
não pode apropriar-se de nenhuma de suas forças para uso próprio se ele
não conhecer as leis naturais.” — trecho do livro “A Invenção da
Natureza” de Andrea Wulf
Textos base (para saber mais):
Ciência Hoje On-line, 5 mai 2009, Humboldt - um visionário. Barbara Marcolini. Link: https://cienciahoje.org.br/humboldt-um-visionario/
Super Interessante, s.d., Quem foi Alexander von Humboldt, o mais famoso desconhecido da ciência. Bruno Vaiano. Link: https://super.abril.com.br/especiais/quem-foi-alexander-von-humboldt-o-mais-famoso-desconhecido-da-ciencia/
Wulf, Andrea. A Invenção da Natureza. São Paulo: Planeta, 2016.
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O Uso de Plantas Medicinais por Neandertais
Até pouco tempo atrás achava-se que os Neandertais eram predominantemente carnívoros. No entanto uma maior variedade em sua dieta vem sendo descoberta à medida que analises mais sofisticadas vêm sendo feitas.
O time tem combinado pirólise acoplada à cromatografia gasosa e à espectrometria de massas com analise morfológica de microfosseis de plantas para identificar materiais presos em cálculos dentários (placa bacteriana calcificada no dente) de cinco neandertais do norte da Espanha em El Sidrón.
Os resultados, publicados na revista “Naturwissenschaften”, proporcionam mais uma reviravolta na história – a primeira evidencia molecular do uso de plantas medicinais por um ser neandertal.
“A variedade usada de plantas que identificamos sugerem que os neandertais habitantes de El Sidrón tinham um conhecimento sofisticado do seu ambiente natural, o que incluía tanto a habilidade de selecionar e utilizar certas plantas pelo seu valor nutricional quanto para a automedicação. A carne tem sua clara importância, porém nossas pesquisas apontam para uma dieta ainda mais complexa do que as supostas anteriormente. ” Diz a principal autora, a professora Karen Hardy da Universitat Autonome de Barcelona e da University of York, UK.
Estudos anteriores feitas pelo time apontam que os neandertais de El Sidrón possuíam o gene de percepção do gosto amargo. Recentemente pesquisadores descobriram evidências moleculares em cálculos dentários de que um dos indivíduos havia comido plantas de gosto amargo.
“As evidencias indicam que esse indivíduo estaria comendo plantas de sabor amargo como erva-dos-carpinteiros (milefólio) e camomila, o que pelo seu pouco valor nutricional é surpreendente. Sabemos que os neandertais sentiriam o amargor destas plantas então é mais provável que essas plantas tenham sido selecionadas por algum outro motivo que não seu sabor. “ Diz o Dr.Stephen Buckley da University of York, UK.
O professor Matthew Collins, a pessoa no comando do centro de pesquisas BioArCh na York, diz “Usando a espectrometria de massas nós fomos capazes de identificar os blocos de construção de carboidratos nos cálculos de dois indivíduos adultos, um deles em particular que aparentava ter comido vários tipos diferentes de comidas ricas em carboidratos. Em conjunto com analises de microscópio isso também demonstra o quanto cálculos dentários podem servir como uma rica fonte de informações.”
Os pesquisadores confirmam as evidencias de carboidratos cozidos por conta dos grânulos rachados e torrados de amido observados microscopicamente e pela evidencia molecular de cozimento e exposição à fumaça de madeira ou comida defumada na forma de marcadores químicos como ésteres metílicos, fenóis e hidrocarbonetos aromáticos polinucleares achados nos cálculos dentários.
“Nossa pesquisa confirma o variado e seletivo uso de plantas pelos neandertais. ” Adiciona o coautor Les Copeland, professor na University os Sydney, Autralia.
O estudo também mostra evidencias de que os grânulos de amido de El Sidrón são os grânulos de amidos mais antigos já confirmados através de teste bioquímicos enquanto as antigas bactérias encontradas em meios aos cálculos apresentam grande potencial para futuros estudos sobre saúde bucal.
Textos base (para saber mais):
Sci News, 19 jul 2012, Study Reveals Neanderthals Used Medicinal Plants. Enrico de Lazaro. Link: https://www.sci.news/othersciences/anthropology/article00476.html
ResearchGate, jul 2012 (in: The Science of Nature), Neanderthal Medics? Evidence for Food, Cooking, and Medicinal Plants Entrapped in Dental Calculus. Karen Hardy, Stephen Buckley, Matthew James Collins, Almudena Estalrrich et al. Link: https://www.researchgate.net/publication/229160372_Neanderthal_Medics_Evidence_for_Food_Cooking_and_Medicinal_Plants_Entrapped_in_Dental_Calculus
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